Séries e TV

Série “Coisa mais linda” da Netflix faz sucesso enfatizando a trajetória da mulher no Brasil dos anos 60

  Wendy Stefani    terça-feira, 02 de abril de 2019

O feminismo tem como fio condutor fatos importantes da luta e resistência de muitas mulheres durante sua trajetória e ascendência até sua chegada no século XXI. As mulheres se reconheceram e se colocaram no papel real da transformação de sua própria condição social e econômica.

A história de submissão da mulher como sujeito inferior, instável emocionalmente e cuja a inteligência pode ser comprometida, ainda é colocada como um fator afirmativo entre o sexo masculino. Todavia, hoje, essa estrutura social arcaica, está finalmente desmoronando aos poucos. O fato é que se formos parar pra pensar e tirarmos a balança e a venda, a justiça nada mais é do que uma mulher com uma espada.

A série Coisa mais Linda têm em sua produção dois criadores: a americana Heather Roth e o brasileiro Giuliano Cedroni.  É uma série brasileira, que está no catalogo do serviço streaming e foi pensada para ser um produto de exportação. A série vai contar a vida de quatros mulheres que em meio a liderança da estrutura social do patriarcado, vão realizar uma reforma interna e externa,  se descobrindo e redescobrindo, por fim, mulheres donas do seu próprio destino.

A princípio o enredo vai circular em torno da vida de Malu ou Maria Luiza (Maria Casadevall), uma mulher paulistana e de família rica que junto com o filho é abandonada pelo marido. Colocada em uma situação desesperadora e familiar entre muitas mulheres,  Malu vai lutar para recuperar seu dinheiro roubado e suas esperanças de um futuro.

Logo após, apresenta a história de Adélia (Pathy Dejesus), uma mulher negra, trabalhadora e mãe solteira, que sofre muito com o preconceito e racismo da época. Inclusive temos um post falando sobre o protagonismo da mulher na maternidade, veja aqui. Algumas cenas vão mostrar as agressões feitas por consequência do racismo, implícito ou explícito, tendo uma pressão emocional no espectador, com um impacto incapaz de ser expressado em palavras.

Thereza (Mel Lisboa), é uma jornalista. Essas cenas vão enfatizar a natureza de uma mulher no trabalho, isso quando ela conseguia estar qualificada para tal função, já que as regras que os próprios homens criaram, só favorecem a eles, principalmente nessa época.

Lígia (Fernanda Vasconcellos), é apresentada com a amiga de infância de Malu que sempre gostou de cantar, entretanto precisa manter um desempenho belamente equilibrado e bem ajustado como a esposa de um político em ascensão. Além disso, precisa conviver com a masculinidade frágil do marido que não consegue lidar com toda a natureza grandiosa da mulher.

Além disso, o drama também apresenta destaques de alguns personagens como o Capitão (Ícaro Silva) e Chico (Leandro Lima), que comentaram um pouco sobre a história:

“É uma série de mulheres fortes que fazem suas escolhas, as encaram e as histórias delas vão virar sementes para que as pessoas passem a refletir. Além de entreter com essa música, vai educar as pessoas”, contextualiza o ator Leandro Lima, intérprete do músico Chico.

“Era importante as camadas de humanidade de todos esses personagens. Todos são muito humanos do ponto de vista das relações, não cair na caricatura e acho que o desafio tá aí. O Capitão é um homem quase impossível, ainda mais nos anos 60”, afirma Ícaro Silva.

A série possibilita mais destaque a essas reflexões sobre o “ lugar da mulher”, o racismo e inúmeros preconceitos a partir de um Brasil dos anos 60, no Rio de Janeiro. Essa análise mais ampla dá ênfase a esses aspectos e ações coletivas que se referem à emancipação e a conquista dessas mulheres por seus direitos e empoderamento.

Existem alguns pontos na série que estão relacionados aos esterótipos que são colocados nas pessoas e no próprio país, além de todos os referenciais de identidade individual, aos quais cada um tende a se moldar, isso pode causar uma certa reação negativa, porém, não faz com que o conteúdo seja irrelevante e não inibe sua importância e profundidade, além de apresentar uma trilha sonora fascinante!

Sua estréia foi dia 22 de março e já está tendo muita repercussão:

Wendy Stefani

Wendy Stefani

Bióloga - UFSCar. 26 anos. Se perde em páginas de livros. Sonha em viajar pelo mundo. Apaixonou-se por escrever sobre os universos que lhe tocam. Diz sim, para todo convite que lhe permita viver algo novo. Sushi e chocolate? QUERO! :)

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