Internet

Eles bem que tentam afundar os piratas…

  Carolina Türck    terça-feira, 28 de abril de 2009

The Pirate Bay

… mas não conseguem.

Há algum tempo, o site de busca de torrents The Pirate Bay tem sido alvo de processos em vários países. Em 2008, um juiz na Itália mandou todos os ISPs do país filtrarem o acesso ao site. A ação foi criticada pela blogsfera italiana, levando a um aumento de visitas ao site em 5% durante a primeira semana do bloqueio. Como bons piratas, os caras do Pirate Bay criaram mecanismos que envolviam desde a troca de IP’s e uso de mirror para o domínio Labaia.org (labaia em italiano é A baía), além de encorajar o uso de Open DNS pelos usuários para fugir do bloqueio.

Recentemente (17/04), os fundadores do site foram condenados a um ano de prisão e multa de cerca de R$7,7 milhões por desrespeitar os direitos autorais e facilitar o compartilhamento ilegal de arquivos. Dessa vez, o burburinho foi feito por parte dos internautas, com direito a ataques contra o site da associação da indústria musical (IFPI, em inglês) e os advogados envolvidos no caso, como forma de protesto contra a condenação, que ganhou o nome de operação Baylout. No dia seguinte à condenação, cerca de 500 pessoas saíram às ruas de Estocolmo usando bandanas e bandeiras de piratas para protestar.

Enquanto de um lado a IFPI e todos os incomodados com os torrents comemoram a condenação, Peter Sunde, um dos condenados, diz em seu Twitter que nada aconteceu ao Pirate Bay, nem a eles próprios e muito menos ao compartilhamento dos arquivos. O Partido Pirata Sueco (sim, é um partido político de verdade), diz que houve um crescimento do número de associados para mais de 20 mil depois do veredicto.

O sistema de busca personalizada do Google por torrents (não é um produto oficial do Google) se tornou “The Pirate Google” em apoio ao The Pirate Bay, com direito ao logo colorido no estilo google:

The Pirate Google

Interessante é o manifesto no site, que relembra uma coisinha importante: o fato de que pelo Pirate Bay não hospedar os arquivos, funcionando meramente como um buscador de torrents, sua funcionalidade poderia muito bem ser comparada à do Google e outros buscadores, que não são submetidos a processos, talvez por terem influência maior política e legal ao contrário de sites menores e independentes.

Agora, o Rapidshare teria quebrado o sigilo de usuários para gravadoras alemãs. Um usuário teve sua casa invadida pela polícia há algumas semanas, depois de usar o Rapidshare pra compartilhar o álbum Death Magnetic do Metallica (que vazou um dia antes do lançamento em 2008, e não é preciso lembrar que o Metallica é uma das bandas que mais fez furdunço contra o compartilhamento de mp3). Na Alemanha, há um parágrafo na lei 101 que diz que os serviços online devem fornecer identificação de usuários infratores para a justiça. As gravadoras estariam usando desse parágrafo para conseguir os IP’s com o Rapidshare.

No Brasil a coisa também vem acontecendo, seja pelo traffic shaping do Virtua/Net e outros provedores (tem uma seção só sobre isso no abusar.org), como com o ‘delete’ da comunidade do Orkut Discografias e do site de seriados SeriesBr. O traffic shaping consiste em manobras feitas pelos provedores de internet em ‘cortar’ seus downloads de P2P (torrents & baixadores de mp3) colocando a velocidade lá embaixo, pelas portas mais comumente usadas nessas transferências. Isso já aconteceu algumas vezes comigo, quando meus torrents e músicas no Soulseek não passavam de 5kb/s. Até onde sei, por enquanto, o Speedy nunca teve esse problema. Alguns usuários de outros provedores, quando ligaram pra reclamar, dizem que os próprios atendentes desconhecem o termo ou afirmam que a manobra não ocorre. Ou seja, duendes resolvem fazer uma parada gay nos cabos e por isso que só os downloads de P2P caem, deixando o acesso de sites normal, incluindo downloads através do Rapidshare, 4shared, Megaupload e afins.

Mas a briga continua. Na Suécia, hoje, a empresa de comunicações Tele2 disse que vai apagar os endereços de IP depois que eles forem usados. A polícia disse que isso pode ter um impacto sério na tentativa de barrar pirataria na internet, tornando em alguns casos, até impossível as investigações.

Vamos e venhamos: se o acesso à cultura não fosse tão caro (preços exorbitantes em livros, cd’s e dvd’s), haveria necessidade da pirataria, pelo menos no Brasil?

Carolina Türck

Carolina Türck

Brasileira, 33 anos, publicitária. Atualmente mora em Portugal e se dedica ao site Garotas Nerds, ao e-commerce do site e projetos pessoais. Cachorros, coca zero com muito gelo e chocolate com menta.

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