Cinema

Crítica Duas Rainhas: reconstituição histórica da mulher traz relevância ao filme

  Patricia Piquia    terça-feira, 02 de abril de 2019

O filme histórico de drama Duas Rainhas, que deveria ser chamar mesmo Maria, Rainha dos Escoceses, estreia finalmente no Brasil dia 04 de abril e é estrelado por Saoirse Ronan e Margot Robbie.

O filme deveria se chamar Mary, Rainha da Escócia ou dos Escoceses, pois mostra muito mais da vida de Mary e de como a sua vida foi afetada sempre por conta das decisões de Elizabeth, sua prima, ou por Elizabeth ter ascendido ao poder na Inglaterra e Mary ter ficado a sua sombra, mesmo sendo também uma possível herdeira ao trono da Inglaterra somente apoiada por grupos católicos, que não eram tão poderosos como os protestantes que levaram Elizabeth ao poder.

O filme começa apenas falando que Mary (Saoirse Ronan), princesa da Escócia, foi ainda criança prometida ao filho mais velho do rei Henrique II da França, Francis, e então foi levada para França. Aos 16 anos, o pai de Francis, Henrique III, morre e Francis é coroado e se casa com Mary. Mas após apenas 1 ano de reinado, Francis morre e Mary tem que voltar para a Escócia, pois não tem mais o asilo do novo rei, irmão mais novo de seu esposo.

O filme realmente conta a volta dessa escocesa, criada como francesa, para sua terra natal e todos os problemas que essa volta gerará em sua vida, tudo por conta do reinado de Elizabeth I na Inglaterra, que também sofre por ser a filha mais improvável de Henrique VII que se tornou rainha. Grupos tentam derrubar sua prima Elizabeth I (Margot Robbie). E o filme vai explorar o conflito entre as Duas Rainhas.

Para quem assistiu a série Reign o filme é bem mais dramático, pois a vida de Mary foi muito trágica, a série inventou e romantizou muitos detalhes, o filme está muito mais próximo de fatos reais, trágicos e muito relacionados ao fato de Mary e Elizabeth serem mulheres. Todas as decisões que elas tomaram na vida, que infelizmente nem sempre foram acertadas, se deveram ao fato da sociedade em que elas estavam nunca aceitarem que elas eram mulheres. Mary se casou por não poder reinar sozinha e fazer frente a Elizabeth que era apoiada por grupos mais poderosos, os protestantes. Mas infelizmente seus casamentos todos foram infelizes e seu final trágico. Elizabeth I também não teve uma vida feliz sendo rainha, nunca se casou, pois primeiro não pode se casar com o homem que amava e segundo porque queria reinar sozinha e sabia que em sua época nenhuma rainha tinha esse direito, na verdade poucas mulheres tinham algum direito no século XVI.

Essa reconstituição histórica da mulher é para mim o que faz o filme tão relevante, mas talvez seu timing no Brasil esteja tardio em comparação ao restante do mundo, pois lá fora ele foi lançado em dezembro passado e até concorreu ao Oscar de melhor figurino, mas se você gosta de filmes históricos recomendo esse, as atrizes principais estão ótimas, especialmente Margot, que deixou a beleza de lado para representar essa mulher forte e fora dos padrões estéticos que foi Elizabeth I.

Patricia Piquia

Patricia Piquia

Nerd, brasiliense, estabanada e professora de inglês. Amo música, livros, séries, filmes, arte, corridas e viagens.

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