Comportamento

Aplicativo mostra mulheres invisibilizadas dos livros didáticos de história

  Natalia Sierpinski    segunda-feira, 01 de julho de 2019

Em diversos âmbitos, as mulheres foram apagadas e tiveram seus feitos ocultados da História com “H” maiúsculo. Se formos pensar apenas em artistas e cientistas, por exemplo, a quantidade de nomes masculinos é imensa, mas de quantas mulheres você ouviu falar na escola?

Essa grande discrepância acontece, não por falta de mulheres que tenham produzido, pesquisado, lutado, criado e realizado grandes feitos, apesar de ser importante salientarmos que culturalmente esses espaços são tidos como masculinos e as mulheres receberam (e recebemos até hoje) menos oportunidades para adentrar na vida pública. Porém, existiram sim mulheres que participaram dos mais diversos momentos históricos, mas não ouvimos falar delas nas escolas, o que reforça o pré-conceito equivocado, de que apenas homens fizeram feitos que valeram ficar para a História.

Nos Estados Unidos, apenas 11% dos conteúdos dos livros didáticos de história trazem personagens femininas, como resposta a essa pequena representatividade, a organização Daughters of Evolution criou o aplicativo “Lessons in Herstory” que a partir da realidade aumentada, traz narrativas de mulheres que foram ocultadas dos livros escolares.

O aplicativo escaneia o livro didático, e no lugar do personagem masculino, apresenta uma personagem feminina do mesmo período histórico, com dados sobre sua trajetória e conquistas realizadas. Assim, além de mostrar o apagamento feminino e a invisibilização que as mulheres receberam no decorrer da História, o aplicativo também traz maior representatividade com o objetivo de inspirar novas meninas a serem líderes e se aventurarem nas mais diversas áreas do conhecimento.

Atualmente o aplicativo traz a história de 75 mulheres que nasceram no século XIX. Entre elas, temos Gertrude Stein, escritora, poetisa e ativista do movimento feminista que escreveu “Autobiografia de Alice B.Toklas”, obra essencial da vanguarda das décadas de 1910 a 1930; Harriet Tubman, que após fugir da fazenda em que estava na condição de escrava, se junta a causa abolicionista e atua como enfermeira e espiã do Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana, contribuindo para a fuga e libertação de centenas de escravos e escravas; Nellie Bly foi jornalista pioneira em reportagens investigativas, fingindo insanidade para estudar e analisar como eram feitos os tratamentos nos hospitais psiquiátricos e posteriormente denunciou as condições que vivenciou.

Assim, considerando o quanto a História é uma narrativa construída e que por muitas décadas, foi escrita por homens para outros homens, termos novas perspectivas e ações que busquem reparar esse vazio é essencial para que as próximas gerações se sintam mais representadas e tenham uma outra percepção sobre igualdade de gênero.

O aplicativo está disponível para iOS, celular ou tablet, somente em inglês.

Natalia Sierpinski

Natalia Sierpinski

Educomunicadora e pesquisadora de quadrinhos, gênero e educação. Sou potterhead, não tenho treta entre Marvel e DC, gosto e acompanho ambas, adoro Star Wars, vídeo game, jogos de tabuleiro e cinema.

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