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FISL10: Meu feedback

Publicado em 30 junho 2009 por Amanda Magalhães

entrada do evento

Pois é. De volta à Belo Horizonte, a gente percebe que acabou o FISL. :(

Aí a gente chega em casa e lembra de tudo o que aconteceu lá. De todas as pessoas que você viu, de todas as palestras que você assistiu, todos os lugares que você visitou e quase todos os momentos que você viveu por lá.

Então, eu pretendo contar algumas das coisas mais marcantes do FISL pra vocês, como foi prometido no meu último post.

Eu amei o evento. Do início ao fim. Amei a cidade. É gelada e as pessoas não são tão receptivas quanto a gente está acostumado aqui em Minas, mas tem suas belezas. E suas pessoas especiais. (Adorei te conhecer Camila ;) )

camila e eu - eventoPrimeiro dia é sempre festa, né? Todo mundo felizão… animadasso e expectativas lá no alto em relação ao evento. É dia de começar a encontrar o pessoal (foi quando eu conheci a Camila), de se adptar à cidade e tudo o mais. Foi o dia em que eu mais corri pra cima e pra baixo e nao vi palestra nenhuma. A única coisa que eu vi foi o 4º Encontro dos Ubuntu Brasil e a Abertura. Fora isso, só fiquei andando pra lá e pra cá tentando conhecer a puc (fiquei perdida lá dentro todos os dias – senso de direção #fail). Logo na abertura, tivemos o @marcelobranco falando sobre o FISL do ano que vem. Será sim em Porto Alegre (havia boatos rolando que nao seria mais).

No segundo dia eu passei 5 horas sentada para assistir à palestras. O teatro estava tão disputado, mas tão disputado, que ninguem podia sair. Sabe aquela máxima de quando a gente era criança de “saiu, perdeu, furou pneu”? Então, fiquei 5 horas sentada sem tomar água, sem ir ao banheiro e sem comer nada. Tudo isso para assistir: Steven Rostedt, Chris Hofmann, Simon Phipps, Peter Sunde e finalmente Richard Stallman. Pra falar a verdade? Valeu a pena.

Tá certo que o Stallman definitivamente não é a pessoa que eu imaginei que fosse. Ele fala coisas muito bacanas e tal, mas é um mimadinho. Durante a palestra dele, um monte de gente saiu do auditório para assistir ao jogo do Brasil. Ele ficou cheio de #mimimi e se sentou dizendo que estava muito chateado por isso. Enquanto o organizador de mesa não pediu pro povo bater palma pra ele, ele não voltou pra falar.

No terceiro dia, tivemos a visita do nosso presidente. Eu tinha escrito todo um texto para publicar no mesmo dia, antes do almoço, mas a internet sem fio do evento definitivamente não colaborou.

Detector de metais e fila para entrar na area de standsEntão. O fato, é que com a visita do Lula, o evento meio que perdeu a noção de liberdade. Eu concordo plenamente que o presidente poderia trazer uma visibilidade gigantesca para o evento e para o software livre. Poderia, por que não ganhou. Com a morte do Michael Jackson, até o presidente voltou a ser um Zé Ninguém. Mas olha só. Vamos pensar um pouquinho mais. O evento prega a liberdade acima de qualquer outra coisa. Independente do que, não é? Com essa visita do Lula, não foi isso o que aconteceu.

O FISL funcionou da seguinte maneira: Tinha uma área de expositores/grupos de usuários onde qualquer pessoa, mesmo aquelas que nao fizeram a inscrição, podiam visitar. E há a parte de palestras, onde o acesso é restrito àqueles que possuem um crachá. O propósito de se deixar uma área aberta ao público, é disseminar o conhecimento entre qualquer tipo de pessoa. Claro que existe o lado mercenário de tudo isso, de você divulgar a marca e tudo o mais. Mas tá. vamos deixar essa perspectiva de lado.

Com a chegada do Lula, a área de expositores ficou restrita a 400 pessoas com o crachá. 400. Em um local onde podiam rodar nao sei quantas mil pessoas por dia, durante um dia inteiro, só puderam rodar 400 (dinamicamente. Tipo, se tinha 400 e saia 2, 2 outros podiam entrar). Até 11:40, mais ou menos, a área de expositores não tinha sido aberta aos participantes.

A visita do Lula foi proveitosa? Tá. Pode ser que sim. Foi bacana ele ter falado que apóia o Software Livre. Foi bacana ele falando que não concorda com a lei do Projeto Azeredo. Mas acho que todo esse circo montado foi exagerado. (desculpe a quem não concorda comigo, mas não sou só eu quem pensei assim: #lulafail + #fisl.

O ultimo dia foi o mais triste de todos. Despedidas, despedidas e mais despedidas. É encontrar amigos que você passou os três ultimos dias grudada neles e deixar cair a ficha de que, pessoalmente, será a última vez. Pelo menos até o próximo evento nerd.

eu e camila - festa de encerramentoO dia de festa foi o dia de perceber que quando você deixa nerds soltos, eles aprontam. Eles dançam, eles bebem, eles pulam, eles paqueram (tá bom. ele chegam perto de você e perguntam qual editor de texto você usa e inicia uma conversa sobre as vantagens/desvantagens entre o vim e o netbeans) e eles quase podem ser vistos como pessoas normais em uma balada normal (tirando os gritos de guerra “ao GNU” em todos os brindes, as camisas de distribuição GNU/Linux e as danças engraçadíssimas).

Bom. Foi isso. Foi um evento lindo, em que dormir, pelo menos pra mim, foi artigo de luxo, onde a internet não funcionava direito mas eu iria e faria tudo exatamente igual. Estar com amigos, conhecer lugares e pessoas novas definitivamente, não tem preço.

Eu fiquei de agradecer todo mundo que eu tive contato lá no evento, mas não caberia em um só twitt e eu fiquei de agradecer por aqui.

@amandacsi, @camilasan, @glauco, @dnasciment0, @dnoway, @lucasarruda, @licio, @dudanogueira, @guerrinha, @goostavobg, @otubo, @lincoln, @cascardo, @cesaraovivo, @gabriel, @caioariede, @samadeu, @dennisfaria e outros que não tem @ nem links, mas que com certeza estão guardados na memória. E é claro que tá faltando um monte de gente.

turma no aeroporto. os nomes citados não correspondem ao pessoal da foto.

A gente reclama da wifi, da estrutura do evento, do hotel, do elevador assassino, do amigo que ronca e de tudo o mais, mas é incrível poder dizer que tudo aconteceu. Foi um prazer estar com vocês.

P.S¹.: Não deu pra encontrar com a Carol e a Lia. Mas deu pra encontrar com a Camila. Ela passou tanto tempo com a gente que pegou até o jeitinho mineiro de falar. “Uai, sô”, “IÉ6″, “de boa” “POÁ” e outros agora fazem parte do vocabulário dela. :}

P.S².: Não consegui ir à muitos dos eventos da noite por vários motivos. Não fui ao show do Teatro mágico (#mimimi), mas fui ao Samba e à festa de encerramento. O que digo dos dois? No samba, a música e o quentão estavam fantásticos. E na festa, TUDO estava perfeito. Ou quase. ;)

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XMPP/Jabber: Liberdade também nos bate-papos

Publicado em 15 junho 2009 por Amanda Magalhães

jabberA coisa que eu mais gosto de fazer na internet é conversar com meus amigos. Gente que eu conheço através de listas de discussão, fóruns, twitter (como as meninas daqui do GN :*) e outros. E às vezes, é gente que eu só conheço pela internet. É gente que eu passo um tempão conversando e crio laços afetivos tão fortes quanto os que eu crio com gente com quem convivo pessoalmente e todo dia. A Internet tem esse poder de unir pessoas com o mesmo perfil, né? E o que seria de nós, pobres navegantes, sem os IMs heim? Com certeza seria muito mais difícil criar esses laços.

É pra facilitar (e muito) as nossas vidas, que o IM (Instant Messenger) existe. Uma coisinha tão simples de usar e que quebra um galho e tanto. Mas então, você que está aí lendo esse texto enquanto bate papo, você já parou pra pensar nos IMs que usa? Ou simplesmente usa? Isso também é um caso a se pensar. Assim como falei na semana passada sobre o ODF (leia aqui), hoje eu vou falar sobre um protocolo livre de comunicação instantânea. O Jabber.

jabaToda vez que eu falo de Jabber, eu lembro do Jaba (de Star Wars). Inevitável. Mas o Jabber não tem nada de monstro ditador horroroso. Muito pelo contrário. O Jabber (ou XMPP, como posteriormente foi chamado ao se adequar aos padrões da IETF) é um protocolo totalmente aberto muito utilizado em sistemas de mensagens instantâneas (os IMs são apenas uma das coisas que ele pode fazer e depois desta padronização, a distinção entre as suas capacidades de IM e suas capacidades mais gerais ficaram mais claras).

Por ser aberto, o Jabber é muito utilizado por empresas que desejam que seus funcionários tenham uma comunicação interna. Extremamente seguro e eficaz, o Jabber permite que os administradores tenham
controle sobre sua rede de usuários.

Mas nem de longe só empresas utilizam-no. Aposto como você também o usa (talvez até mesmo sem saber). Sabe o Google Talk? Pois é. ele utiliza o protocolo XMPP. Apesar de ser proprietário, usa XMPP. Confundiu aí? Deixa eu tentar explicar melhor.

Hum… O software Google Talk não é livre. O cliente (software) Google Talk, o cliente web GMail, o software servidor utilizado pelo Google (também criado por eles) não são livres. O serviço exige aceitação dos termos do Google. Mas é um serviço gratuito, existem termos de serviços piores e o protocolo, apesar de algumas extensões, não é incompatível com diversos clientes livres que existem por aí. Clareou? Então, continuemos.

Você não precisa do GTalk para usar o Jabber/XMPP. Você pode utilizar um monte de outras alternativas que são completamente livres. você pode criar uma conta em um (existem vários) servidor Jabber e comunicar-se com outros usuários que também utilizam-no. Para isso, você só precisa escolher o seu servidor e sistema preferido.

Vou aproveitar o gancho e dar duas dicas então. Para ser totalmente free (e por totalmente free, eu me refiro à ser licenciado pela GPL e não te impor termos de serviços para utilizaçao), você pode usar o Jabber-br no Pidgin.

(Só abrindo um parênteses aqui. O Pidgin não é um cliente Jabber nativo. Existem várias outras maneiras de utilizá-lo. Você pode se conectar utilizando “Gateways” ou outros softwares, por exemplo, como o Gajim e o PSI.)

Pidgin o qual, é multi-protocolo. Isso quer dizer que por ele você consegue acessar o Jabber, IRC, ICQ, MSN… Apesar de que esses dois últimos sejam complicados de lidar justamente pelo fato de serem proprietários e dependerem de engenharia reversa do protocolo para funcionar. Mas então, quer criar a sua conta no Jabber-br? Vamos lá, eu ajudo.

pidginBaixa o Pidgin aqui. Além de multi-protocolo, ele tem versão para Windows e Linux/Unix. Instala ele (muito fácil, totalmente no esquema Next > Next > Finish) e vai em “Gerenciar Contas”. clique em “Adicionar” e preencha os campos. em protocolo, escolha “XMPP”. Digite o nome do usuário desejado, uma senha para autenticação e marque ‘Lembrar senha” se quiser que ele se conecte automaticamente quando o Pidgin for iniciado. Em “Apelido Local” você escolhe o nome que identificará as mensagens que você enviar nas conversas. O defaut é seu usuário. Em domínio, você coloca “jabber-br.org” (sem aspas) e selecione o checkbox lá embaixo: “Criar esta nova conta no servidor”. Clique em “Adicionar” e pronto! Você já está pronto para utilizar seu usuário no jabber-br.

Você pode adicionar todos os seus amigos do GTalk. Desde o início de 2006, ele conversa com outros servidores que utilizam o mesmo protocolo. E você pode também tentar convencer todo mundo para usar um
protocolo livre também.

O que as pessoas precisam é conhecer que existem outras alternativas àquilo que são forçados a engolir todos os dias. Quando se fala de comunicação instantânea, em que todo mundo pensa? MSN. Em segundo
plano vem o GTalk. Os dois são proprietários. O Jabber/XMPP não perde em nada pra esses dois. Talvez perca em marketing. Afinal, os dois (MSN e GTalk), lhe foram praticamente impostos né? O MSN vindo nos
Sistemas Operacionais da Microsoft (lembra? você nem precisava instalar!) e o GTalk veio embutido no Gmail.

Vamos lá gente! Vamos usar e divulgar os protocolos (e sistemas) livres de IM para tentar derrubar esse oligopólio! Seja LIVRE! Use Jabber/XMPP.

E quem quiser, pode me adicionar lá pra gente trocar idéias: amandinhakee@jabber-br.org ;)

Queria agradecer ao Cascardo, que me ajudou bastante na confecção deste texto e disponibilizando o artigo que ele escreveu à respeito do Jabber/XMPP. Se você se interessou e quiser saber mais, pode encontrá-lo aqui

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