Outro dia a Raphaela escreveu aqui no GN um ótimo texto sobre a publicidade de décadas passadas e sua suposta apologia ao comportamento politicamente incorreto. Francamente, achei a bola que ela levantou bem pertinente, num contexto em que estamos rodeados e reproduzindo sérios cerceamentos à criatividade. Muito se fala em censura à imprensa, criticando orgãos reguladores, mas poucos questionam nossa própria censura social, que, por vezes, tem se tornado chata e correta demais. Nos ofendemos por coisas muito diminutas, que não são importantes.
Não, esta não é uma defesa de preconceitos étnicos, de gênero, de condições sociais, do desrespeito aos direitos assegurados, mas um questionamento sobre os motivos que levam as visões críticas ou dissonantes serem olhadas de forma enviesada, com receios e forte censura. Se você dispara um palavrão, te tomam por mal educado, se você assume uma postura livre em relação à sexualidade, você se torna um promíscuo, se critica qualquer movimento “de boas intenções”, você é insensível… e por aí encontramos muitos exemplos. Há uma preocupação exacerbada com bons exemplos e condutas morais corretas.
Atualmente, há um forte esquema de ataque e intimidação sobre os humoristas brasileiros [que convenhamos, são muito meia-boca], com tentativas de proibição de montagens/entrevistas/esquetes que ridicularizem ou denigram candidatos políticos, prevendo multas a emissoras de tv ou teatros que as exibam. Porra, patrulhamento do caralho! A manifestação mais lúdica mostrando nossos problemas sociais está sob vigilância e censura! Humor é expor ao ridículo, é colocar o dedo na ferida provocando gargalhadas, é poder rir de tudo que está instituído, é POLITICAMENTE INCORRETO.
Há cerca de um mês, Stallone fez uma declaração que provocou a ira dos brasileiros e manifestações raivosas no Twitter durante uma semana. O que o ator/diretor/mutante falou já havia sido dito por Sérgio Buarque de Hollanda, em 1936: a cordialidade brasileira nos faz mesmo mansos. Recebemos uma bofetada e oferecemos a outra face, no equívoco de perdão eterno. Um tempo antes, havia sido um comediante americano a fazer uma piada sobre o Brasil em um programa de televisão e as mariazinhas se doeram. Mesmo os Simpsons já viraram alvo do “boicote” dos brasileiros. E é este politicamente incorreto que estou defendendo neste texto. É a provocação, a galhofa, o riso, a saudável celeuma. Até mesmo a palmadinha na bunda dos meus filhos [quando os tiver].
Manifesto em defesa de um mundo menos chato.
Terei companhia?
*As opiniões desta coluna são de responsabilidade da autora da mesma.










