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Pelo politicamente incorreto

Publicado em 27 agosto 2010 por Cátia Andressa da Silva

Outro dia a Raphaela escreveu aqui no GN um ótimo texto sobre a publicidade de décadas passadas e sua suposta apologia ao comportamento politicamente incorreto. Francamente, achei a bola que ela levantou bem pertinente, num contexto em que estamos rodeados e reproduzindo sérios cerceamentos à criatividade. Muito se fala em censura à imprensa, criticando orgãos reguladores, mas poucos questionam nossa própria censura social, que, por vezes, tem se tornado chata e correta demais. Nos ofendemos por coisas muito diminutas, que não são importantes.

Não, esta não é uma defesa de preconceitos étnicos, de gênero, de condições sociais, do desrespeito aos direitos assegurados, mas um questionamento sobre os motivos que levam as visões críticas ou dissonantes serem olhadas de forma enviesada, com receios e forte censura. Se você dispara um palavrão, te tomam por mal educado, se você assume uma postura livre em relação à sexualidade, você se torna um promíscuo, se critica qualquer movimento “de boas intenções”, você é insensível… e por aí encontramos muitos exemplos. Há uma preocupação exacerbada com bons exemplos e condutas morais corretas.

Atualmente, há um forte esquema de ataque e intimidação sobre os humoristas brasileiros [que convenhamos, são muito meia-boca], com tentativas de proibição de montagens/entrevistas/esquetes que ridicularizem ou denigram candidatos políticos, prevendo multas a emissoras de tv ou teatros que as exibam. Porra, patrulhamento do caralho! A manifestação mais lúdica mostrando nossos problemas sociais está sob vigilância e censura! Humor é expor ao ridículo, é colocar o dedo na ferida provocando gargalhadas, é poder rir de tudo que está instituído, é POLITICAMENTE INCORRETO.
Há cerca de um mês, Stallone fez uma declaração que provocou a ira dos brasileiros e manifestações raivosas no Twitter durante uma semana. O que o ator/diretor/mutante falou já havia sido dito por Sérgio Buarque de Hollanda, em 1936: a cordialidade brasileira nos faz mesmo mansos. Recebemos uma bofetada e oferecemos a outra face, no equívoco de perdão eterno. Um tempo antes, havia sido um comediante americano a fazer uma piada sobre o Brasil em um programa de televisão e as mariazinhas se doeram. Mesmo os Simpsons já viraram alvo do “boicote” dos brasileiros. E é este politicamente incorreto que estou defendendo neste texto. É a provocação, a galhofa, o riso, a saudável celeuma. Até mesmo a palmadinha na bunda dos meus filhos [quando os tiver].

Manifesto em defesa de um mundo menos chato.
Terei companhia?

*As opiniões desta coluna são de responsabilidade da autora da mesma. ;)

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Marco Regulatório Civil da Internet

Publicado em 27 abril 2010 por Amanda Magalhães

Você já conhece o Marco Civil da Internet? Não? Pois deveria.

Se você é um internauta assíduo, vai se lembrar do famosíssimo “AI-5 Digital” ou o “Projeto Azeredo”, que sugeria leis para o controle da Internet, o que teoricamente, e equivocadamente, segundo o projeto, garantiria a segurança digital dos navegantes. Além de ajudar a diminuir fatores como a pornografia infantil.

Pois bem. Em outubro do ano passado, o Ministério da Justiça abriu um fórum para acolher sugestões enviadas por internautas. Durante 45 dias, o fórum recebeu aproximadamente 800 sugestões. Com base nelas, foi criado um texto que deu origem à segunda fase do anteprojeto do Marco Regulatório Civil da Internet.

O texto estará aberto por mais 45 dias para discussão, para que mais sugestões sejam dadas. Assim, o nosso Marco Civil será construído colaborativamente.

Muitos tópicos são abordados nas discussões e certamente eles dizem MUITO a seu respeito. Se você está me lendo, você está navegando na internet (a não ser que tenha recebido o texto impresso) e então, este assunto já diz respeito à você.

Você, que fica só resmungando o tempo todo que não tem uma voz ativa no seu país, que não pode fazer nada por ele e etc, já pode parar de falar e fazer. E começar pela participação ativa no Marco Regulatório Civil da Internet.

Você pode saber mais sobre o projeto aqui.
Pode ter acesso à primeira fase do Marco Civil aqui.
E pode começar a participar aqui, no debate da segunda fase.

(E pode ler um texto muito bom do Sergio Amadeu – @samadeu no Trezentos. Praticamente leitura obrigatória para se entender melhor sobre o Marco e sobre o que pode – e deve – ser melhorado nesta segunda fase.)

Vamos lá, Brasil. Mostre a sua cara. ;)

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Dos absurdos da educação no Brasil 2

Publicado em 11 agosto 2009 por Leonardo R.

Eu já havia comentado aqui um dos aspectos da educação brasileira, ou melhor, uma das formas criadas pelo governo para supostamente facilitar o acesso à educação superior.

Hoje vou falar sobre outro aspecto, o do ensino fundamental ao ensino médio. Essa semana saíram notícias alarmantes: “Metade dos professores de 1a a 4a séries do ensino fundamental não têm formação adequada” e “Mais de 600 mil alunos têm aulas com professores formados apenas no ensino fundamental” (originais aqui e aqui).

O que isso significa?

Isso significa que os alunos estão tendo aulas de conteúdo que esses mesmos professores não viram (no caso do ensino fundamental de 5a a 8a série e ensino médio) e não cumprem o que a lei prevê – que os professores tenham no mínimo ensino médio completo normal ou com o antigo magistério. Isso é o mínimo. O desejável é licenciatura de nível superior. Isso volta ao meu post anterior: com a “facilidade” de acesso ao ensino superior o governo realmente espera professores capacitados?

Que professores de ensino médio com formação específica da matéria que lecionam é algo deficiente, não é novidade. Quantas pessoas que concluíram o ensino médio em escolas públicas tiveram aulas – se tiveram – decentes de matérias como física e química? Eu não tive. Se tive em 4 anos (da 8a ao 3o colegial), foram dois, no máximo.

E segundo as notícias, os professores com formação inadequada não estão somente no ensino público, nem em áreas rurais. Eles estão em escolas particulares e em áreas urbanas. Então não dá pra dizer “só em áreas e condições extremas” do país, como gostaríamos de pensar.

Como isso afeta a população? Em tudo. Continua a passar a imagem de que ensino superior é desnecessário. O acesso ao ensino superior continua deficiente, o que vai continuar gerando professores deficientes e por fim, alunos com conhecimento deficiente que não terão acesso – e por vezes vontade – ao ensino superior.

O que é um povo sem conhecimento? Sem ter a educação como algo necessário, e não um luxo para poucos? Só com conhecimento é possível gerar mudanças, cobrar políticos e mudar atitudes.

Editado para adicionar duas frases célebres (obrigada @fschuler!)

- “Um país se faz com homens e livros”, Monteiro Lobato
- “Livros não mudam o mundo. Livros só mudam as pessoas. As pessoas, essas é que mudam o mundo”, Mário Quintana.

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Dos absurdos da educação no Brasil

Publicado em 30 junho 2009 por Leonardo R.

diploma

Já é certo e sabido que infelizmente, no nosso país a educação pública é terrível. Não entro no mérito de quem é a culpa, pois os pais hoje em dia também relegam aos professores que eduquem seus filhos em áreas que eles mesmos deveriam (aquela parte que os nossos avós chamavam de “educação de berço”). Então, não há um único culpado. Todos enxergam o problema, que fica pulando como ‘batata quente’ de um lado para outro, sem ser resolvido.

Em São Paulo, o problema começa logo nas creches. É só procurar pelo UOL, por exemplo, que você encontra notícias de creches que a prefeitura paga como terceirizadas e que funcionam, por exemplo em cima de uma loja de botijões de gás. Sem contar na falta de respeito dos próprios alunos com os professores.

Mas o meu foco hoje é o novo ENEM. Desde que ele foi aceito por universidades Federais e públicas do país, vem ocorrendo debates e mais debates sobre as mudanças na prova. A mais nova, e que muito me indigna, é a seguinte: das 200 questões propostas, de múltipla escolha, eles criaram um sistema que consegue dizer se você chutou ou não. E se você chutou (ou melhor, se eles dizem que você chutou), e acertou, sua pontuação será menor.

Sim, leitora/leitor, te dou uma pausa pra digerir isso.

Estão fazendo alguns estudantes do 1o e 2o anos do Ensino Médio – pois o 3o ano fará a prova esse ano, e eles não querem que eles saibam alguma questão que por ventura apareça na prova oficial – e universitários no primeiro ano como cobaias, e baseado na estatística das respostas dessas cobaias, ‘calibrando’ um modo de acusar que você chutou, o TRI (Teoria de Resposta ao Item). Segundo a lógica deles, pessoas que acertam os exercícios difíceis não erram os fáceis.

Simples assim.

Seria simples se fôssemos máquinas. Quantas vezes você não errou uma questão de ‘bobeira’ na prova, por ter lido com pressa ou por puro nervosismo? Quer dizer que você não dominava a matéria? Ou, no caso de provas longas, com conteúdo extenso: se eu acertar a ‘difícil’ por exemplo de genética e errar a ‘fácil’ de biologia celular quer dizer que eu chutei, ao invés de talvez (talvez!!) eu ser melhor em genética do que biologia celular?

A princípio o ENEM foi criado para medir o conteúdo que estava sendo ensinado no Ensino Médio. Depois, começou a valer um percentual na Fuvest (se você veio de escola pública) e modo de seleção para você tentar uma bolsa pelo Prouni (Programa Universidade Para Todos). E eles vão conseguir medir mesmo o que está sendo ensinado na rede pública: nada. O Prouni deixará de ser ‘para todos’, afinal, quem vier de escola pública não conseguirá muitos pontos no novo ENEM sem um cursinho. E cursinhos são caros. Se você já não tem nem grana pra pagar o cursinho, e está tentando o Prouni é porque, tá na cara né, você não tem como pagar a faculdade. Agora você vai tentar o ENEM porque ele dá acesso a algumas faculdades públicas.

Ou seja. Nem bolsa, nem faculdade pública. A quem estamos tentando enganar? Não seria mais lógico consertar o ensino público primeiro?

Nós continuamos a cultivar a imagem que o jovem já tem – que estudar é difícil, que faculdade é só pra quem pode ou é ‘nerd’. Pra que ir pra escola se o que ele aprende lá não vai fazer com que ele consiga entrar numa faculdade?

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A vida como ela é

Publicado em 16 junho 2009 por Leonardo R.

Eu já tinha ouvido falar de Persépolis, há alguns anos atrás, mas acabou caindo no esquecimento por “n” motivos. Eis que uma professora do meu namorado resolve pedir que eles leiam o primeiro volume como matéria de prova, algo assim. Voltou tudo à minha mente, e fiquei aguardando o término do trabalho deles para ter em minhas mãos esse ‘livrinho’.

Persépolis Completo

Persépolis é uma graphic novel (apesar da autora rejeitar este título), ou história em quadrinhos autobiográfica de Marjane Satrapi, nascida no Irã em 1969. Até aí, você diria, que diferença faz? Para começar, cara pálida, quantas mulheres cartunistas você conhece? E iranianas? E que retrata sem pudores o que ela viu, passou e fez durante a revolução iraniana, durante a guerra contra o Iraque? Pois é.

Mas calma que não é tudo violência, sangue e pedaços de corpos pelas páginas, pelo contrário. Os desenhos são em preto-e-branco, e vão contando em episódios – alguns engraçados, alguns tristes – a vida de Marjane desde pequena, quando o regime “religioso fanático” no Irã obrigou as mulheres a usarem véu e a estudarem em salas separadas por sexo, pra começar.

Marjane Satrapi por ela mesma

Ela participou de manifestações políticas com seus pais, e no colegial foi mandada para a Áustria, sozinha. Enfrenta o dilema de ser muito ocidental no Irã e muito oriental na Áustria. Conta as aventuras que ela enfrentava para conseguir uma fita k7 de uma banda de rock dos anos 80, ou como seus pais quando foram ao exterior tiveram que esconder um pôster do Iron Maiden para trazerem pra casa sem serem presos; ou as festas com as cortinas fechadas para continuarem se sentindo vivos num regime opressor de qualquer felicidade. Além da pressão para casar cedo e ter filhos, num lugar onde as mulheres não podem andar com outros homens que não sejam parentes ou o marido, sozinhas então…

Os livros foram publicados em 2000, e aqui no Brasil foram separados em 4 volumes ou num único contendo os quatro livros, chamado Persépolis Completo (que é o que eu, ahn, o meu namorado tem). Recomendo o completo pelo preço mais em conta (R$41,00 o volume completo contra cerca de R$32,00 por volume separado) e porque quando se começa a ler, não dá vontade de parar, e ter que esperar pra comprar o próximo não é legal!

Agora, vem a parte que eu te pergunto: viver numa cidade violenta, uso de drogas por adolescentes, se sentir fora do contexto em certos lugares, conflitos com a visão de casamento dos outros e a sua… isso só se aplica ao Irã? A história foi publicada em 2000, mas os episódios aconteceram há no mínimo 20 anos atrás. E continuam extremamente atuais.

Ps.: Foi feito um filme baseado no livro, na verdade uma animação, com o mesmo título. Ainda não assisti. Mas pretendo!

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Eu também quero fazer politicagem

Publicado em 31 março 2009 por Raphaella Quarterone

O que acontece quando você une política, opinião e atitude de uma figura importante mundialmente em uma mídia ‘alternativa’ às convencionais ? Inovação.

É isso que acontece com a série Female Force, da Editora Bluewater Comics, que apresenta, em cada edição, biografias de personalidades femininas da política norte-americana em um veículo completamente NERD: a HQ.
Contrariando ao que todos pensavam sobre a série, não trata-se de nenhum movimento feminista nem tentativa de promoção da mulher na política americana. O objetivo é apenas homenageá-las divulgando suas histórias muitas vezes não-previsíveis. Nos States por U$$ 3,99 você adquire seu gibi histórico, porém aqui no BR nenhuma notícia sobre vendas :(

Após superar expectativas de venda com as edições anteriores, que traziam a candidata republicana à vice-presidência Sarah Palin, e a secretária de estado Hillary Clinton, a editora já esgotou sua primeira tiragem na pré-venda do próximo número, que narra a história de ninguém menos que a primeira dama mundial Michelle Obama.

A história narra a vida da moça desde seu nascimento e infância em Chicago, passando por seus dias na Universidade de Princeton, até a campanha presidencial que culminou com sua mudança para a Casa Branca, ao lado do presidente Barack Obama.

Assim como seu excelentíssimo maridão, a diva Michelle é muito querida e  solicitada atualmente, não só na Female Force – no melhor estilo Powerpuff Girls – mas também no mundo da moda, entretenimento e atitude social, o que nos deixa ainda mais in love por essa senhora, que prova ao planeta que primeiras-dama não são bonecas manipuladas, são sim formadoras de opinião, e comprovam a tese de que, atrás de um grande homem há sempre uma grande mulher ;)

Agora lhes apresento uma questão: será Michelle a Evita do séc XXI ?
Se depender do público da HQ FF sim.

Não poderia deixar de comentar que estou muito feliz pelo GN estar finalmente no ar, e que desde o início do Projeto me senti muito honrada com o convite. Espero estar sempre ao nível das meninas – que arrasam em tudo o que fazem – e que possa somar, contribuir para que o site se torne cada vez mais rico em informações que toda Garota Nerd precisa, gosta e se interessa !

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