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A cadeia alimentar industrial

Publicado em 01 setembro 2010 por Sara Hoff

“O que talvez seja mais perturbador, e triste, a respeito da alimentação industrial, é a forma como obscurece quase completamente todas essas relações e conexões. Ir da galinha (Gallus Gallus) até o Chicken McNugget significa deiar este mundo numa viagem de esquecimento que dificilmente poderia ter um preço mais alto, não apenas em termos da dor do animal, mas também do nosso prazer. Mas esquecer, ou em primeiro lugar, nem chegar a saber, é a própria essência da comida industrial, o principal motivo de ela ser tão opaca, pois, se pudéssemos ver o que se passa atrás dos muros cada vez mais altos da nossa agricultura industrial, certamente mudaríamos nossa maneira de comer.

‘Comer é um ato agrícola’, disse, numa frase famosa, Wendell Berry. É também um ato ecológico, além de um ato político. Ainda que muito tenha sido feito para obscurecer esse fato bastante simples, o que e como comemos determinam, em grande parte, o que fazemos do nosso mundo – e o que vai acontecer com ele. Ter de comer mantendo a consciência de tudo o que está em jogo  pode parecer carregar um fardo, mas na prática poucas coisas na vida podem nos proporcionar tanta satisfação. Em comparação, os prazeres de se comer segundos os ditames da indústria, o que vale dizer comer na ignorância, são efêmeros. Muita gente hoje parece totalmente satisfeita comendo na extremidade da cadeia alimentar industrial sem parar para pensar no assunto; (…)”

Li esse trecho no livro O dilema do Onívoro, de Michael Pollan. Um bom tópico para cada um refletir sobre seu papel e seu lugar na cadeia alimentar.

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O que estamos comendo?

Publicado em 10 março 2010 por Sara Hoff

Já faz algum tempo que eu me interesso bastante pela qualidade da minha alimentação. Consulto regularmente com uma nutricionista, sempre dou uma olhada na tabela nutricional dos alimentos e tento comer coisas saudáveis e naturais.
E não sou só eu que faço parte. Comer bem é uma tendência. Existe cada vez mais informação sobre a importância de uma boa alimentação, e hoje em dia não são só os ‘gordinhos’ que procuram nutricionistas ou compram alimentos em casas naturais. Alimentos orgânicos não são mais novidade na maioria das grandes cidades, apesar de ainda não serem exatamente populares, principalmente devido ao preço.

Por outro lado, cada vez mais consumimos alimentos prontos, congelados, cheios de conservantes, corantes, agrotóxicos, hormônios. As cadeias de fast food se proliferam pelo mundo, e também no Brasil. A comida dos famigerados buffets a quilo é cada vez mais padronizada (e mais gordurosa, também). Os índices de obesidade da população crescem não só nos Estados Unidos, país cuja maioria da população é notoriamente obesa. Diabetes, colesterol, doenças cardíacas são cada vez mais comuns.

Paradoxos da sociedade contemporânea.

Comer bem, para mim e para muitos outros, é mais do que uma opção. É uma necessidade. Já estive muito acima do peso considerado saudável. Além disso, meu organismo é bastante sensível, e alergias são um risco. Por fim, ainda sou considerada parte do grupo de risco para desenvolver diabetes.
No fim das contas, apesar de ter começado a me alimentar melhor com o intuito de emagrecer e de ser mais saudável, acabei incorporando os princípios da alimentação saudável no cotidiano. Nem penso mais muito, acabo fazendo escolhas saudáveis automaticamente.

Pensar no que se come (e bebe), além de implicar em benefícios para a saúde, também traz benefícios para o meio ambiente (outra tendência da sociedade atual). Comer alimentos orgânicos e produzidos localmente diminui a quantidade de agrotóxicos no solo e também a emissão de carbono no transporte. Diversificar os alimentos significa estimular a biodiversidade e o fim da monocultura.

Como vivemos na chamada era da informação,são muitas as tendências, grupos, dicas de profissionais, páginas da web, livros, artigos em revistas e reportagens na televisão sobre o assunto.

No meio de todas essas informações, um dos movimentos mais legais é o Slow Food, que surgiu como uma oposição à cultura do fast food. Porém, engana-se quem pensa que a idéia é somente levar mais tempo no preparo e no consumo dos alimentos. A filosofia do movimento é que todos tem direito a buscar prazer na alimentação, utilizando produtos que respeitem o meio ambiente e os produtores. O movimento busca conscientizar o público sobre a necessidade de procurar informação sobre os alimentos consumidos. Desta maneira, surge um grupo de consumidores responsáveis, co-produtores dos alimentos.

Outro destaque dessa tendência é o escritor Michael Pollan. Nos Estados Unidos, ele é bastante famoso, e seus livros frequentemente aparecem nas listas de best-sellers. A idéia básica defendida por ele é: coma somente aquilo que sua avó reconheceria como comida. Simples assim. No Brasil, ele ainda não é muito conhecido. Dois livros dele podem ser encontrados nas livrarias daqui: Em defesa da comida e O dilema do onívoro.

Um dos chefs de cozinha mais queridos e populares do mundo, o fofo Jaime Oliver, também juntou-se a corrente, e defende o uso de alimentos orgânicos no seu programa de TV e livro, Jaime em casa. Ele também já fez uma campanha pela reforma no sistema da merenda escolar nas escolas britânicas, e recentemente está concentrando esforço em campanhas por uma culinária mais consciente e mais saudável, para evitar a obesidade. Jaime foi o ganhador do TED Prize 2010, que dá US$100.000,00 para a melhor idéia para mudar o mundo. Para ver o discurso de agradecimento pelo prêmio, clique aqui.

E até quem não é do ramo entrou na discussão. Um dos meus escritores preferidos, o Johathan Safran Foer (que também não é muito conhecido por aqui), lançou, no ano passado, o livro Eating Animals (literalmente, Comendo Animais), em que analisa a origem da carne que consumimos.

A mensagem que fica de tudo isso? Que podemos (e devemos, quem sabe) adquirir consciência sobre nossas escolhas. E não só sobre as escolhas gastronômicas, é claro.

=)

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