…os dois emitem CO², mas são deliciosos e viciantemente maléficos, e a gente não pode viver sem eles.

Há alguns meses atrás postei em meu extinto blog um artigo sobre a polêmica descoberta relação entre as vitais buscas no Google e a emissão de CO² na atmosfera, e desde então venho acompanhando as investigações e atitudes da empresa rainha da web.
Desde o segundo semestre de 2008, o Físico americano Alex Wissner vem publicando suas pesquisas sobre o impacto ambiental a partir do uso do Google, especialmente direcionada à search. Segundo ele, uma busca típica no site em um computador de mesa gera cerca de 7g de dióxido de carbono. Este número é considerado “pequeno”, porém há de se observar que esta quantidade é referente a UMA única busca, portanto, levaram-se em consideração a estimativa de 200 milhões de pesquisas realizadas POR DIA, e o resultado deste cálculo foi: 1400 toneladas de CO² emitidos por dia, somente a partir das buscas do Google.
E as informações obtidas através dos estudos de Wissner não páram por aí: segundo o físico, as emissões de carbono derivam da energia elétrica utilizada pelo computador e pelos data centers usados pelo site em todo o planeta. Além disso, seus “resultados rápidos” – fator principal na adaptação do site – se deve ao uso simultâneo de vários bancos de dados, o que aumenta ainda mais a quantidade de gases emitidos.
Circo em chamas, eis que o Google ativa seus próprios cientistas e – meses depois – se manifesta. Enquanto todos aguardavam uma solução, ou a apresentação de alguma tecnologia que amenizasse a sua responsabilidade na poluição da atmosfera, foi divulgado um levantamento de comparações entre as buscas do site e o consumo de produtos cotidianos, conforme publicado pelo Gizmodo, e você pode visualizar abaixo através da seguinte tabela:

Como mostrado na imagem acima, produtos considerados primários em seu consumo, por fazer parte do cotidiano da maioria dos habitantes do planeta são mais prejudiciais ao meio ambiente que o uso do site. Um Cheeseburguer, por exemplo, emite, segundo os cientistas googlenses, o equivalente a 15.000 searches.
Após pesquisar em diversos sites devido um certo ceticismo de minha parte, a verdade é que fiquei um tanto quanto mais decepcionada do que antes. Não fazia idéia de que buscas no site emitiam carbono, e fiquei mais apreensiva ainda pois não é preciso ser um cientista para concluir que se as pessoas não deixam de fechar a torneira ao escovar os dentes (por exemplo), e menos ainda reciclam seu lixo (ao menos sem remuneração financeira) é óbvio que jamais deixarão de fazer buscas no Google para reduzir a quantidade de carbono emitido. E também seria hipocrisia minha afirmar que deixei de fazê-la, afinal, minha obsessão no aprofundamento por informações relacionadas aos assuntos que despertam meu interesse é abastecida através do divino botãozinho SEARCH.
Decepção maior ao ver que ao invés de estudar formas para reduzir o problema, os cientistas mais competentes em tecnologia do EUA foram acionados para só e somente só criar um álibi para o site, caso futuramente seja acionado judicialmente sob acusações de danos ao meio ambiente.
A próxima parte deste filminho policial fajuto, é repleta de acusações por parte do Google aos produtos que, segundo estudos divulgados na tabela, emitem tanto quanto ou mais CO². Com chamativo principal à divulgação dos estudos, a equipe do site afirma: 15 mil buscas equivalem a um X-Burguer em emissões de carbono.
E como qualquer briga de gigantes, as quais já estamos acostumados, o placar final é sempre negativo a mim, a você, e ao planeta, desta vez ainda pior, visto que nem eu e nem você deixaremos de “googlar” nossas dúvidas e anseios, não é mesmo ?
Triste saber que o site de buscas mais queridinho do mundo se tornou mais um vício maléfico que nos faz mais feliz, mas que é totalmente prejudicial, ó céus. Feito isso, ajoelharei-me-ei sobre o milho mais xexelento que encontrar, pois para a criação deste artigo realizei no mínimo 7 buscas no Google (doh).