Sabe, não é de hoje que vemos pessoas que são completamente contra o Software Livre. Isto não me revoltaria se todas elas tivessem argumentos para justificar essa posição. Afinal, todos tem direito a uma opinião. Mas na maioria das vezes o que eles tem são premissas soltas e infundadas que faz com que as pessoas fechem suas mentes e não queiram nem saber mais nada a respeito.
Eu lido com pessoas assim todos os dias. E por não conseguir ficar calada diante algo que não concordo, acabo me tornando a chata, a ‘xiita’ (termo o qual eu não concordo para este fim) ou até mesmo revolucionária. Os mais comuns, claro, são chata e xiita.
Podemos até ver o resultado de pessoas assim em casos como este ou este. No primeiro caso, é muito mais gritante e preocupante no âmbito técnico. E o outro em um geral.
O argumento utilizado, no primeiro texto, que informa que o Brasil e outros países podem ser punidos por usar/incentivar Software Livre, é de que sistemas de código aberto reduzem ou até mesmo eliminam a competitividade entre as empresas e pode até tirar o emprego de muita gente que recebe para desenvolver sistemas com códigos proprietários.
Não consigo entender – ou aceitar – como isto poderia acontecer. Argumentos como este é que nos provam a insuficiência de informação.
Tentando explicar de forma bem genérica, principalmente àqueles que não são do ramo de computação: quando se constrói um sistema, você obtém o código dele, que é o que diz o que o sistema fará. Algumas empresas trancam este código para que ninguém (nem mesmo quem o comprou) tenha acesso à ele. O que eu acho um erro, por que já que você pagou por ele, deveria ter acesso àquilo que ele é. Pra mim, privar o cliente deste acesso é monopólio.
A única diferença portanto é que ao adquirir e utilizar um sistema de código aberto, você tem acesso ao fonte e pode fazer modificações caso ache necessário.
Neste artigo da Info, encontrei comentários de pessoas que não têm muitos argumentos válidos contra o Software Aberto. Gente que alega que o Software Livre morreu. Dizem que quem o defende o faz de teimoso, já que esta é uma briga injusta (segundo os comentários, é briga de rinoceronte contra cachorro sarnento) e quando não tem mesmo mais o que dizer acabam por ofender às pessoas, em uma clara apelação. Em contra partida, encontrei outros que me fazem – e sempre farão – com que eu não perca minhas esperanças nas pessoas. Um destes fantásticos comentários faz uma comparação muito interessante:
“Daqui a pouco vamos ver propagandas do tipo “Doação Zero!”. Afinal, quando você doa um agasalho para alguém necessitado, você está automaticamente tirando a oportunidade de um lojista vender a peça, prejudicando o fabricante e impedindo a criação de novos postos de trabalho no país e também o recolhimento de impostos. Nossa! Pensando bem, não sei como não criaram uma campanha desse tipo ainda! hauehauehuaheu”
enviado por: Daniel Cardoso Gonçalves em 26/02/2010 – 18:38
No post a respeito do programa “Professor Digital” os comentários são ainda piores. O problema neste caso, nem é tanto quanto qual sistema será utilizado nos computadores. Todo problema é que foi citado no edital do programa o nome da empresa que deve fornecer os softwares dos computadores, o que é contra a lei. Não importaria se o nome citado fosse o de uma empresa que defende o uso do Software Aberto. Mas os comentários não nos deixam mentir de que as pessoas muitas vezes não leem a matéria na íntegra para comentar.
Isso decepciona e preocupa. Muito. O que todo mundo anda aprendendo na escola? Para onde vão as aulas e mais aulas de interpretação de texto? Ultimamente, tenho reparado o quanto falta leitura ao brasileiro. O quanto falta interesse. E o quanto falta incentivo à isso. E tudo isso, tem como resultado situações como estas.
Por favor, galera, pelo bem de vocês e até mesmo (por que não?) de um “todos nós”, vamos procurar saber das coisas, ler a respeito e entendê-las primeiro antes de nos pronunciar. Evite o vexame. E obrigada por ler até o fim.















