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Dos absurdos da educação no Brasil 2

Publicado em 11 agosto 2009 por Leonardo R.

Eu já havia comentado aqui um dos aspectos da educação brasileira, ou melhor, uma das formas criadas pelo governo para supostamente facilitar o acesso à educação superior.

Hoje vou falar sobre outro aspecto, o do ensino fundamental ao ensino médio. Essa semana saíram notícias alarmantes: “Metade dos professores de 1a a 4a séries do ensino fundamental não têm formação adequada” e “Mais de 600 mil alunos têm aulas com professores formados apenas no ensino fundamental” (originais aqui e aqui).

O que isso significa?

Isso significa que os alunos estão tendo aulas de conteúdo que esses mesmos professores não viram (no caso do ensino fundamental de 5a a 8a série e ensino médio) e não cumprem o que a lei prevê – que os professores tenham no mínimo ensino médio completo normal ou com o antigo magistério. Isso é o mínimo. O desejável é licenciatura de nível superior. Isso volta ao meu post anterior: com a “facilidade” de acesso ao ensino superior o governo realmente espera professores capacitados?

Que professores de ensino médio com formação específica da matéria que lecionam é algo deficiente, não é novidade. Quantas pessoas que concluíram o ensino médio em escolas públicas tiveram aulas – se tiveram – decentes de matérias como física e química? Eu não tive. Se tive em 4 anos (da 8a ao 3o colegial), foram dois, no máximo.

E segundo as notícias, os professores com formação inadequada não estão somente no ensino público, nem em áreas rurais. Eles estão em escolas particulares e em áreas urbanas. Então não dá pra dizer “só em áreas e condições extremas” do país, como gostaríamos de pensar.

Como isso afeta a população? Em tudo. Continua a passar a imagem de que ensino superior é desnecessário. O acesso ao ensino superior continua deficiente, o que vai continuar gerando professores deficientes e por fim, alunos com conhecimento deficiente que não terão acesso – e por vezes vontade – ao ensino superior.

O que é um povo sem conhecimento? Sem ter a educação como algo necessário, e não um luxo para poucos? Só com conhecimento é possível gerar mudanças, cobrar políticos e mudar atitudes.

Editado para adicionar duas frases célebres (obrigada @fschuler!)

- “Um país se faz com homens e livros”, Monteiro Lobato
- “Livros não mudam o mundo. Livros só mudam as pessoas. As pessoas, essas é que mudam o mundo”, Mário Quintana.

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Dos absurdos da educação no Brasil

Publicado em 30 junho 2009 por Leonardo R.

diploma

Já é certo e sabido que infelizmente, no nosso país a educação pública é terrível. Não entro no mérito de quem é a culpa, pois os pais hoje em dia também relegam aos professores que eduquem seus filhos em áreas que eles mesmos deveriam (aquela parte que os nossos avós chamavam de “educação de berço”). Então, não há um único culpado. Todos enxergam o problema, que fica pulando como ‘batata quente’ de um lado para outro, sem ser resolvido.

Em São Paulo, o problema começa logo nas creches. É só procurar pelo UOL, por exemplo, que você encontra notícias de creches que a prefeitura paga como terceirizadas e que funcionam, por exemplo em cima de uma loja de botijões de gás. Sem contar na falta de respeito dos próprios alunos com os professores.

Mas o meu foco hoje é o novo ENEM. Desde que ele foi aceito por universidades Federais e públicas do país, vem ocorrendo debates e mais debates sobre as mudanças na prova. A mais nova, e que muito me indigna, é a seguinte: das 200 questões propostas, de múltipla escolha, eles criaram um sistema que consegue dizer se você chutou ou não. E se você chutou (ou melhor, se eles dizem que você chutou), e acertou, sua pontuação será menor.

Sim, leitora/leitor, te dou uma pausa pra digerir isso.

Estão fazendo alguns estudantes do 1o e 2o anos do Ensino Médio – pois o 3o ano fará a prova esse ano, e eles não querem que eles saibam alguma questão que por ventura apareça na prova oficial – e universitários no primeiro ano como cobaias, e baseado na estatística das respostas dessas cobaias, ‘calibrando’ um modo de acusar que você chutou, o TRI (Teoria de Resposta ao Item). Segundo a lógica deles, pessoas que acertam os exercícios difíceis não erram os fáceis.

Simples assim.

Seria simples se fôssemos máquinas. Quantas vezes você não errou uma questão de ‘bobeira’ na prova, por ter lido com pressa ou por puro nervosismo? Quer dizer que você não dominava a matéria? Ou, no caso de provas longas, com conteúdo extenso: se eu acertar a ‘difícil’ por exemplo de genética e errar a ‘fácil’ de biologia celular quer dizer que eu chutei, ao invés de talvez (talvez!!) eu ser melhor em genética do que biologia celular?

A princípio o ENEM foi criado para medir o conteúdo que estava sendo ensinado no Ensino Médio. Depois, começou a valer um percentual na Fuvest (se você veio de escola pública) e modo de seleção para você tentar uma bolsa pelo Prouni (Programa Universidade Para Todos). E eles vão conseguir medir mesmo o que está sendo ensinado na rede pública: nada. O Prouni deixará de ser ‘para todos’, afinal, quem vier de escola pública não conseguirá muitos pontos no novo ENEM sem um cursinho. E cursinhos são caros. Se você já não tem nem grana pra pagar o cursinho, e está tentando o Prouni é porque, tá na cara né, você não tem como pagar a faculdade. Agora você vai tentar o ENEM porque ele dá acesso a algumas faculdades públicas.

Ou seja. Nem bolsa, nem faculdade pública. A quem estamos tentando enganar? Não seria mais lógico consertar o ensino público primeiro?

Nós continuamos a cultivar a imagem que o jovem já tem – que estudar é difícil, que faculdade é só pra quem pode ou é ‘nerd’. Pra que ir pra escola se o que ele aprende lá não vai fazer com que ele consiga entrar numa faculdade?

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