Eu já havia comentado aqui um dos aspectos da educação brasileira, ou melhor, uma das formas criadas pelo governo para supostamente facilitar o acesso à educação superior.
Hoje vou falar sobre outro aspecto, o do ensino fundamental ao ensino médio. Essa semana saíram notícias alarmantes: “Metade dos professores de 1a a 4a séries do ensino fundamental não têm formação adequada” e “Mais de 600 mil alunos têm aulas com professores formados apenas no ensino fundamental” (originais aqui e aqui).
O que isso significa?
Isso significa que os alunos estão tendo aulas de conteúdo que esses mesmos professores não viram (no caso do ensino fundamental de 5a a 8a série e ensino médio) e não cumprem o que a lei prevê – que os professores tenham no mínimo ensino médio completo normal ou com o antigo magistério. Isso é o mínimo. O desejável é licenciatura de nível superior. Isso volta ao meu post anterior: com a “facilidade” de acesso ao ensino superior o governo realmente espera professores capacitados?
Que professores de ensino médio com formação específica da matéria que lecionam é algo deficiente, não é novidade. Quantas pessoas que concluíram o ensino médio em escolas públicas tiveram aulas – se tiveram – decentes de matérias como física e química? Eu não tive. Se tive em 4 anos (da 8a ao 3o colegial), foram dois, no máximo.
E segundo as notícias, os professores com formação inadequada não estão somente no ensino público, nem em áreas rurais. Eles estão em escolas particulares e em áreas urbanas. Então não dá pra dizer “só em áreas e condições extremas” do país, como gostaríamos de pensar.
Como isso afeta a população? Em tudo. Continua a passar a imagem de que ensino superior é desnecessário. O acesso ao ensino superior continua deficiente, o que vai continuar gerando professores deficientes e por fim, alunos com conhecimento deficiente que não terão acesso – e por vezes vontade – ao ensino superior.
O que é um povo sem conhecimento? Sem ter a educação como algo necessário, e não um luxo para poucos? Só com conhecimento é possível gerar mudanças, cobrar políticos e mudar atitudes.
Editado para adicionar duas frases célebres (obrigada @fschuler!)
- “Um país se faz com homens e livros”, Monteiro Lobato
- “Livros não mudam o mundo. Livros só mudam as pessoas. As pessoas, essas é que mudam o mundo”, Mário Quintana.





