Na terceira e última parte dos posts sobre a Índia eu não poderia deixar de fora o assunto: cinema. E engana-se quem pensa que a Índia é feita apenas de Bollywood. A industria cinematográfica vai muito além, mas isso é assunto para outro post. O de hoje se resume em uma dica que obviamente para não fugir da série consegue unir fotografia, Índia e um projeto social.
Vencedor dos prêmios de Melhor Documentário do Festival de Sundance 2004 e do Oscar 2005 na categoria “Documentário – Longa Metragem”, Nascidos em Bordéis (Born Into Brothels: Calcutta’s Red Light Kids) mostra o dia-a-dia de crianças filhas de prostitutas e moradoras do bairro da Luz Vermelha, em Calcutá. Carentes de educação, mas principalmente: atenção.
De 2000 até 2003 a fotógrafa Zana Briski ficou encantada com a diversidade e ao mesmo tempo a forma que os moradores do bairro da Luz Vermelha são tratados. Por lá tudo é ilegal, desde a venda de bebidas alcoólicas nos pequenos cômodos até a própria prostituição. O que obviamente dificulta a entrada de qualquer fotógrafo.
O que mais chamou atenção de Zana foram às crianças que vivem diante desse “mundo a parte” em relação ao resto da cidade. E apostando que poderia melhorar a vida de cada uma, Zana resolve dar aulas de fotografia e tentar achar alguma escola que aceite moradores do bairro da Luz Vermelha.
Em 2002 Zana fundou a “Crianças com Câmeras” para angariar fundos através da impressão/venda das fotos, exposições, festivais e um livro com todo trabalho. Depois dessa resposta positiva, ela apostou em outros países desenvolvendo a mesma oficina para crianças do Haiti, Jerusalém e Cairo.
É surpreendentemente lindo o resultado que cada criança consegue com uma simples câmera em punho, caminhando pelas ruas, bordéis e registrando momentos que para qualquer outra pessoa seriam inacessíveis e para eles faz parte da rotina. Alguns tem um talento enorme e conseguem composições belíssimas.
O trabalho é ótimo, a trilha sonora maravilhosa e a forma como essas crianças renascem e mostram o potencial que as mães desconhecem com simplesmente um pouco de afeto é emocionante.



