
Por trás da obra há … thãrãrãrãmm: matemática.
Por ser muito observadora, desde a infância aprecio obras de arte, mesmo que, pra todos nós este conceito seja relativo. A princípio não compreendia o encanto que as pessoas tinham por determinada tela ou escultura, mas sempre busquei entender o porquê de tanta fama em alguns casos. Por que Van Gogh é tão aclamado, se nem trabalha traços e pinceladas uniformes e perfeitas, e como consegue, mesmo assim, deixar suas telas magníficamente legíveis? Por que Monet é tão venerado, sendo que artesãos da Pça da República trabalham o Impressionismo otimizado daquilo que ele apenas foi até o fim do alfabeto? Aprecio as obras destes artistas, mas buscar entender o contexto histório, social, indivisual e até emocional sempre foi parte de mim.
Vocês devem estar surpresas por eu não ser do tipo que somente aprecia e se ofende quando há questionamento sobre alguma obra. Mas tenho certeza que também já pararam pra pensar nisso. Somos nerds, e ser nerd é questionar, não é mesmo? Também aprecio o incompreensível – como Picasso, que muitas vezes trabalhou propositalmente para que fosse questionado, mas talvez seja devido a ele que minha sede por esclarecimentos pondera.
Sobre grandes e famosas obras, a maior questão dos meus 21 anos de vida é: Por que Monalisa é tão popstar? A tela é perfeita? Sim. As pinceladas são uniformes e o jogo de luz e sombra em volume é perfeito? É. As bases do Renascimento estão sendo seguidas? Sim. Mas cá entre nós … pintura fotográfica – por mais que seja dificílimo de se trabalhar – é tão perfeitinho que aos meus olhos é entediante. Na época não era comum, mas na época não foi tão aclamado quanto em tempos posteriores, então nem isso justifica. A fama que seria, tecnicamente, decrescente devido aos avanços da própria tecnologia, seguiu o caminho inverso e me deixou com este ponto de interrogação em minha mente. Teorias sobre seus olhos onipresentes viajaram entre pactos satânicos até estudos sobre cores, mas nada muito convincente e concreto
Até que, recentemente, foi publicado o cálculo da tela de Monalisa, seguindo os conceitos dos cálculos de Fibonacci e a Razão Áurea, trabalhada em Retângulos Ouro, por Leonardo da Vinci. Agora vocês vão entender direitinho:
Leonardo de Pisa, também conhecido como Fibonacci, desenvolveu cálculos para compreender a sequência numérica da reprodução de coelhos, e este estudo rendeu muito conhecimento útil para diversas áreas. Nas artes, os retângulos formados pelo cálculo onde somam-se dois números anteriores para formar o subsequente deram origem aos Números de Ouro, que formam os Retângulos de Ouro. Estes retângulos foram encontrados em vários elementos naturais, comprovação que também deu origem ao nome Razao Áurea ou Secção Áurea, pois passaram a acreditar que o cálculo que dava origem à retângulos perfeitos presentes até na natureza, só podia ser presente de Deus.
Estudos comprovaram que, onde a Razão Áurea é encontrada, há beleza, harmonia e perfeição. Por isso, pintores renascentistas passaram a trabalhar incessantemente na busca pela perfeição de suas telas desta forma. Porém, a que mais se destaca é de Leonardo da Vinci, matemático genial que também colaborou nos estudos sobre a Secção Áurea. Tanto que alguns amantes das Artes defendem a tese de que o Retângulo de Ouro foi desenvolvido pelo artista. Equívoco? Teimosia mesmo. A imagem acima mostra o miolo de uma folha de bromélia, que se enquadra perfeitamente dentro da espiral de Fibonacci, que forma retângulos de ouro.
Tá explicado. Monalisa foi desenhada sobre a espiral de Fibonacci, enquadrada em retângulos de ouro. Por isso a partir de seu punho direito todo o seu corpo está em evidência. A linha do olhar está localizada exatamente no resultado da primeira soma de áreas e isso explica a evidência de seus olhos. Lembrem-se: Ela não “olha” pra todos os lados. Matematicamente os olhos de Monalisa estão localizados em ponto de evidência independente do ângulo de posicionamento onde o admirador encontra-se. Isso sem citar a Trigonometria empregada, na qual a forma da mulher é basicamente um triângulo, chamando nossos olhos sempre ao rosto da mesma.
Sobre o 1:1.618 da primeira imagem deste post, trata-se do número da beleza. Razão entre os retângulos a partir da espiral. Mas isso é assunto pra outro post!
Então nerds acabaram de desvendar mais um mistério do mundo das artes: toda beleza tem como alicerces um perfeito cálculo matemático. Lembrem-se disso
“Seccionar um segmento de recta de tal forma que a parte menor esteja para a maior como este está para o todo”.
Leonardo de Pisa
Créditos: The Fibonacci Series
www.educ.fc.ul.pt
Michael Paukner
Mandarino, Denis. Desenho Geométrico, Construções com Régua e Compasso. São Paulo: Ed. Plêiade, 2009
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