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Estrangeiros na conexão urbana

Publicado em 26 fevereiro 2010 por Cátia Andressa da Silva

Quem circula pelos transportes urbanos [vans, ônibus e metrôs] nas grandes cidades, já deve ter percebido o número cada vez maior de indivíduos entretidos com seus laptops, smartphones, ipods, mp3s e-readers e afins… ou não deve ter percebido porque também estava mergulhado na sua própria conexão multimídia. Eu mesma já saio de casa com meus fones no ouvido, meu livro e meu celular e, muitas vezes, sequer vejo se a casa do vizinho está aberta, quem estava na parada de ônibus, muito menos quem embarca durante o meu trajeto.

Se por um lado é ótimo que as tecnologias estejam cada vez mais acessíveis e a tal inclusão digital se torne realidade, por outro, esse mergulho no poço urbano torna a todos “solitários” no meio da multidão. Deixo claro que este não é um texto maledicente à tecnologia, com aquele blá blá blá saudosista e vazio de que ela afasta as pessoas. Seria completamente incompatível com esse espaço, nesse blog com esse nome, com a forma com a qual me conecto. São apenas reflexões sobre a tecnologia e a sua importância na inerente solidão das grandes cidades.

Existe um autor que eu considero um dos clássicos mais relevantes, George Simmel, que aponta os indivíduos nas grandes metrópoles como estrangeiros, acuados com a multidão. Simmel diz que cada vez mais nos tornamos anímicos e intelectualistas, guardando pouco do sentido coletivo e racionalizando nossas condutas de forma sistemática. Todos nós já encerramos uma discussão argumentativa com uma pesquisa rápida pelo Google ou pela Wikipédia, não permitindo assim contestações e abalos à nossa ordem psíquica.

Cada vez mais assumimos posturas que não permitem envolvimento propriamente dito com a cidade, com os micro-sistemas dos quais fazemos parte, porque assumimos, de certa maneira, um caráter blasé, mais centrado no “autoprazer”, mais distante dos ambientes menos intensos e acelerados. O ritmo frenético das cidades nos força a acompanhá-la, ainda que à distância. Nossas ferramentas tecnológicas, essas mesmas supracitadas, nos fornecem a informação, a distração e a companhia que supostamente precisamos.

Hoje em dia, não nos tornamos clientes habituais de um café se ele não nos oferecer um wifi livre, para que possamos mergulhar nas nossas pesquisas e relatórios ao mesmo tempo em que saboreamos um cappuccino ou um espresso. Quando vamos comprar um novo aparelho de celular, ao pesquisar sobre planos, os serviços de dados, tanto ou mais quanto minutos ou sms, se tornam imprescindíveis para a efetivação da compra.

Você neste momento pode dizer “Eu não deixo de viver por causa de tecnologia, por causa do meu computador, isso é papo furado”. Ok, mas pense em quanto das suas horas de lazer você ocupa com algum tipo de eletrônico. Pense também em quantas horas do seu dia de trabalho você está envolvido com algum gráfico ou texto ou projeto, enfim, no seu computador… agora pense em quantas horas do seu dia você passa conversando com seus familiares, com seus colegas e amigos em um bar, sem se preocupar, minimamente, com algum e-mail que você espera. Quanto tempo do seu dia você passa de pernas pro ar, sem produzir nada? Como eu falei anteriormente, esse post não pretende criticar essa forma de viver nas grandes cidades e o uso da tecnologia, mas apontar exemplos e situações que podem ser refletidas, olhar para momentos em que a tecnologia passou a ser protagonista de nossas condutas e perceber se isso não nos afasta mesmo dos prazeres da vida analógica.

Quando você se apaixona por um autor, você costuma fazer analogias com a obra desse e as situações com as quais você se depara. Esse é um esboço inicial de apenas uma das analogias que eu faço com Simmel, assim como faço seguidamente com Foucault, ou Sartre…

Enfim, essa reflexão não se encerra aqui, ao contrário, devo retomá-la em breve. Mas antes, me digam se compartilham de alguma maneira desse olhar ou se discordam totalmente dele. Pode ser uma boa maneira de uma boa discussão se iniciar, transformando em boteco ou café ou universidade, as páginas desse blog. ;)

Beijocas.

Quando o post já estava supostamente pronto, o Fly me mandou esse vídeo, e parece que o sujeito traduz uma parte dessa reflexão:

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Do Twitter como potencializador de afetos

Publicado em 27 janeiro 2010 por Cátia Andressa da Silva

Peço licença pra falar de uma experiência pessoal nesse meu primeiro post para o Garotas Nerds. Quero falar sobre o Twitter como potencializador de afetos.

Além de todas as infinitas possibilidades comerciais e profissionais do Twitter, como ferramenta de divulgação, compartilhamento de conceitos, instrumento de comunicação, etc., a ferramenta tem o poder também de aproximar pessoas e dali surgirem belas amizades, paixões, amores… a Carol e eu nos conhecemos mesmo pelo Twitter e a partir dali descobrimos afinidades, passamos madrugadas papeando no GTalk e foi através disso que ela me convidou pra escrever aqui.

Criei meu perfil na rede em março de 2009 e cerca de um mês depois, ‘conheci’ o Tiago. Não sei como passamos a seguir um ao outro, mas lembro que nossa primeira discussão que começou no Twitter e se estendeu ao MSN foi sobre cinema, mais especificamente sobre Woody Allen. A partir desta, vieram outras sobre nossas áreas de atuação profissional, nossos cotidianos, nossos gostos musicais e literários, nossos estudos, enfim. Nasceu ali uma amizade “virtual”. E ela foi potencializadora e permitiu que uma série de outros afetos e amizades entrassem na minha vida.

Pelo Twitter do Tiago, aos poucos passei a me relacionar virtualmente com outras pessoas, com quem trocava links interessantes, com quem dava boas gargalhadas, com quem travei algumas interessantes discussões virtuais. O círculo foi se ampliando até que em setembro, o Fabrício, meu melhor amigo, e eu resolvemos ir para Florianópolis, participar do Kommbo, evento sobre mídias sociais e web 2.0 que a start-up da qual o Tiago é sócio organizou. Nesse evento, conhecemos muitas pessoas com que já travávamos contato à distância, ou seja, muitas @s se materializaram. Ali descobrimos mais afinidades e empatias incríveis. Dentre essas pessoas, estavam a Neide, a Lu e o Alexandre. Esses três, junto com o Tiago, nos receberam no evento, na empresa e em suas vidas. Não esquecemos do café e do jantar no dia seguinte, movido a bons papos e conhecimento. A partir do momento em que estivemos juntos, os elos foram se fortalecendo e nos tornamos mais próximos, mais amigos, no sentido bonito da palavra.

Em novembro, a Neide veio pro Rio Grande do Sul, na Bienal e na Feira do Livro e nós tivemos o prazer de recebê-la num churrasco [também de amigos que se conheceram pelo Twitter], num domingão delicioso, regado a cervejas, caipiras e banho de piscina na casa da Sara. Ali ficou combinado que iríamos logo passar uns dias com ela em Floripa. Pois bem, os planos do Fabrício e eu eram de irmos no réveillon, mas por motivos pessoais e profissionais, acabamos não indo.

Mas eis que na semana passada, decidi tirar uns dias pra espairecer e escolhi justamente Floripa. A Neide ofereceu sua casa e segunda à noite embarquei no ônibus e fui, com planos de descansar, espairecer, pensar na vida e especialmente, encontrar com ela e com outras pessoas queridas do Twitter, que agora já faziam parte da minha vida. E ela me recebeu. E aqueles amigos que eu havia conhecido no kommbo me receberam. E outras pessoas próximas à Neide, ao Tiago, à Lu e ao Alexandre me receberam. Me acolheram. Logo na primeira noite, tive uma noite sensacional numa temakeria, onde tive o prazer também de conhecer o Galeno, a Dessine e o Maurício Serafim, além de reencontrar o sempre divertido, ligado e boa gente Jorge Campos.

A partir daquela noite, foi uma semana muito prazerosa, de novos encontros e reencontros. De pouco sol, mas iluminada. E eu cheguei de volta à minha casa hoje de manhã muito mais leve, com a cabeça renovada, como quando voltamos de uma semana de férias felizes.

Então… esse breve relato pessoal foi pra enfatizar que num momento em que, inegavelmente, vivemos mais sozinhos, isolados, seja por causa de nossos trabalhos e vidas corridas, seja por medo da violência urbana que nos aprisiona [aliás, o post da Camila relatando seu assalto faz refletir sobre isso], a internet e suas vias de comunicação podem ser também interessantes maneiras de conhecer gente, de fazer amigos, naquele sentido essencial da expressão. O Twitter tem esse efeito aglutinador de afinidades e, felizmente, isso extrapola o viés “comercial” e adentra nossas vivências.

Agradecimentos pelo bem estar em Floripa, além dos supracitados, ao amado @EduBaldan, ao @frankmaia, à @libidibi, à @cibeleggodoy, ao @cambalhota, à @necagamarra [mesmo que não tenhamos conseguido nem tomar um café], à @lauanaghiorzi, ao @delcastanher e a todas as outras @s e não-@s que me garantiram sorrisos.

[Na foto, da esquerda para a direita: @JorgeCampos, @tiagomx, @mauricioserafim, @sininho115, @trektrek, @ascatia [eu], @neiducca e @OneLag]

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A vida imita a arte, a arte imita a vida?

Publicado em 01 dezembro 2009 por Leonardo R.

Algo assim.

Minha mãe faleceu em setembro. Deixou aluguel da casa, contas mil e 5 ‘irmãs’ pra criar. Explico: 3 gatas e 2 cãs.

Às vezes realmente penso que estou vivendo coisas dignas de seriados e reality shows por aí. Dá até vontade de sair eliminando minhas companheiras: “Elimino a Belladonna, minha boxer mais nova, por ter arrancado as roupas brancas do varal e passeado com elas num dia de chuva” ou “Escolho a prateleira da sala, que resolveu cair às 3 da madrugada quando estávamos acabando de arrumar a sala”. Pensem em “A Fazenda”. É pior, com a diferença de que não estou com nenhuma celebridade (homem bonito tem meu namorado aos fins de semana!) muito menos ganhando carro e dinheiro. Nem piscina – até pouco tempo nem banho de mangueira podia porque a Belladonna tinha comido a única mangueira meses antes, realizem.

“No limite”? Vou te contar o que é isso de verdade: dar descarga no banheiro com balde e ficar com o chuveiro queimado, no mesmo dia. Já fazem umas 3 semanas que eu não sei o que é água morna, e faz diferença mesmo quando está muito calor, acredite. Também tem as trapaças das concorrentes, ou cenas praticamente saídas de “Friends”: namorado e eu tomando banho (quando o chuveiro ainda funcionava), gata mais nova entra, solta gases e vai embora. Sim. Gatos também têm gases, e resolvem empestear o banheiro com eles quando você está lá.

A net virou discada. Mas meu maior pesadelo vai ser se cortarem a luz, porque daí não poderei mais jogar Katamari e Kingdom Hearts. Porque banho frio eu já tomo, mesmo.

É o ’show da vida’, como disse algum apresentador por aí. Acho que eu deveria espalhar webcams pela casa e vender meu próprio programa, garanto que risada não ia faltar…

obs.: o chuveiro não está queimado, são os fios que estão com problema. Nerd que é nerd se vira de algum jeito pra arrumar, certo? ;)

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