A minissérie da HBO tem sido uma das queridinhas das premiações, já ganhou o Emmy, o Globo de Ouro e o Critics’ Choice, mas por que devemos assistir Big Little Lies?

Critica: Big Littles Lies da HBO

Quando comecei a ver o primeiro episódio logo me veio a sensação de déjà vu, logo associei a minissérie da HBO com o grande sucesso da ABC, Desperate Housewives. Então, se você gostou da série das mães de Wisteria Lane também poderá gostar das mães de Monterrey.
Assim como em Desperate Housewives, temos um grupo de mães donas de casa e um possível crime por desvendar. Mas as comparações acabam por aí e o tom cômico de DH sai e o drama toma de conta de Big Little Lies.

Sem spoilers, a minissérie de apenas 7 capítulos gira em torno de Madeline (Reese Witherspoon), mãe de Chloe e Abigail. Ela é a popular voluntária do teatro comunitário que se auto-entitula “mãe fulltime”, fazendo oposição às “mães trabalhadoras”. Madeline é casada com Ed (Adam Scott), pai de Chloe. Já Abigail é fruto de seu antigo casamento com Nathan (James Tupper). Nathan agora é casado com a estilosa e descolada Bonnie (Zoë Kravitz) e os dois têm Skye, da mesma idade de Chloe, e as duas frequentam as mesma turma na escola.




Recém chegada a cidade, Jane (Shailene Woodley) ajuda Madeline no caminho da escola após ela ter torcido o pé. Jane é a jovem mãe de Ziggy, um garoto da mesma idade de Chloe. Logo Jane e Madelaine se tornam amigas. Mas a melhor amiga de Madeline é Celeste (Nicole Kidman) mãe dos gêmeos, Josh e Max. Celeste é uma advogada que largou a profissão para cuidar integralmente dos gêmeos e de seu esposo Perry (Alexander Skarsgard).
Temos também Renata (Laura Dern), a “mãe trabalhadora”, rival de Madelaine, e mãe de Amabella da mesma classe de Chloe, Ziggy e Skye.




Tudo gira em torno das “pequenas grandes mentiras”, nome do título em inglês, que contamos sobre nossas vidas privadas para mantermos uma aparência feliz e esconder os problemas que nós temos vergonha ou medo de assumir aos demais, mesmo das pessoas que mais amamos.

Os momentos em que a hipocrisia da comunidade começa a ser revelada é quando são mostrados os depoimentos de testemunhas sobre o crime. Intercalados com o enredo principal, os depoimentos exibem os preconceitos dos vizinhos, que julgam a vida de Madeline e suas amigas sem saber o que realmente está acontecendo.




Uma rede de segredos entrelaça a vida das mães e seus filhos. A partir do momento em que as máscaras caem e verdades começam a aparecer, problemas muito graves são revelados, entre eles um caso de bullying, um abuso sexual e a violência doméstica. Todos esses grandes segredos e grandes problemas estão também conectados ao crime. Prestar bastante atenção nessa conexão ajuda a entender o desfecho.

Uma das lições, assim como em Desperate Housewives, e que talvez seja o motivo do sucesso da série, está em perceber que ninguém é perfeito ou imune a problemas, esconder isso talvez seja a pior solução. Vemos isso na abordagem da violência doméstica e esse talvez  também seja um outro motivo do sucesso da série. Em tempos de denúncias de assédios e dos movimentos #Metoo e #Timesup, um história que aborda a luta de uma mãe que aparentemente tem tudo, financeiramente e fisicamente, para ser feliz, só que não é e que sofre para perceber seu problema – tenha muita empatia de todos, em especial das mulheres.

Com elenco estrelado, direção caprichosa e engajamento, Big Little Lies é um convite a um bom drama.
Devido ao seu grande sucesso, e qualidade, a série foi renovada para uma segunda temporada que estreará somente em 2019.

Patricia Piquia

Nerd, brasiliense, estabanada e professora de inglês. Amo música, livros, séries, filmes, arte, corridas, viagens e gordices.

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