Sexta-feira passada, estava indo pro estúdio acompanhar a gravação de uns amigos, quando saco o celular do bolso e me deparo com a notícia que uma das minhas bandas prediletas tinha acabado de acabar.
A princípio, o sentimento que tomou conta de mim foi a revolta. “Como assim a banda acabou? E eu? E o show que eu nunca vi, como fica?” Quase que instantaneamente, eu mesma me dei uma bronca. Que atitude egoísta, não?

Depois bateu a tristeza de saber que se essa decisão for permanente, talvez nunca os veja ao vivo (e quem me conhece sabe como sou “tarada” por show)
Entrei no estúdio e dei a notícia pra um amigo que também conhece a banda e ele me tratou como se eu tivesse dando a notícia de que alguém morreu. Aí que parei pra pensar nesses sentimentos que nutrimos quase que incondicionalmente por uma banda/artista durante as nossas vidas.

Engraçado como a gente se sente próximo, íntimo e no direito de querer meter o bedelho em tudo que eles fazem. Seja uma música nova, uma mudança no visual, uma atitude da vida pessoal.

Já ouvi vários relatos de gente que se decepcionou com o ídolo no momento que o conheceu. A gente esquece que o cara que ta ali é humano e que não dá pra ser artista o tempo todo. Ou nem tudo que ele canta é o que ele vive.

Aí, fui ler os motivos que levaram a banda acabar depois de 10 anos. Assim como em qualquer relacionamento, os interesses mudaram e a sintonia acabou. Triste? Muito. Principalmente quando você acompanhou essa sintonia dando muito certo e por causa dela que você muitas vezes colocou o CD pra tocar bem alto só pra tentar chegar perto daquela vibe que eles passavam ao estarem juntos.

Mas aí que está o grande segredo da vida e acho que a gente pode até aplicar pra outros setores que não o “término de banda” ou “saída do membro X da banda”: ao invés de lamentar porque acabou, o lance é lembrar o que de bom ficou.

E que esse sentimento bom fique por todas as traduções de sentimentos através das letras das músicas, pelas melodias fortes e suaves que embalaram muitos momentos importantes, pela vibe boa de assistir um show e se emocionar (mesmo sendo pelo You Tube :P ).

Acho que o que vale lembrar é que música é atemporal e não importa se a banda acabou ou não ou se o cara não ta mais lá. Enquanto ela existiu ou o cara esteve lá, a vibe tava rolando e chegou até você e vai continuar chegando toda vez que você escutar.

“…Times change and people change with them
Some people love to play the victim
(Love to play the victim)
Threw caution to the wind
Washed away these few last years of nothing
(was it all for nothing)
Keep it on wax…”