Atenção, este é um post saudosista! É apenas uma homenagem, visto que nenhuma dessas revistas saem ainda. E também não é a primeira vez que um RPG gera frutos como livros e HQ’s. Há alguns anos atrás, no Brasil, surgiu um RPG acessível e simples para que jogadores iniciantes e sem dinheiro pudessem usar. Tormenta era um Universo completamente novo, nascido nas mesas de alguns amigos jogadores (Marcelo Cassaro, Rogério Saladino e JM Trevisan) que também publicavam. A grande vantagem estava no preço: eram manuais muito mais baratos que os gringos. E claro, havia outro motivo para o sucesso do RPG tupiniquim: quadrinhos. Sim, junto com toda a parafernália para mestres e jogadores, diversos títulos ambientados nesse cenário surgiram.
Todas essas HQs se ambientavam em Arton, continente onde existia o Reinado. De todas elas, a mais famosa foi Holy Avenger, que era uma leitura obrigatória para os fãs. Um quadrinho medieval que contava a história de Sandro Galtran, um aspirante a ladrão e Lisandra, uma mocinha meio dríade um pouco confusa. Mas o que vendia mesmo a revista (para a meninada com hormônios a flor da pele) era a maga Niele, com seus seios fartos e sua falta de roupa. O grande inimigo deles era o Paladino. A verdade era que Sandrinho se apaixonou por Lisandra, mas essa já era apaixonada pelo Paladino, e para agradá-lo, ela procurava os Rubis da Virtude, o que fez o ladrão procurar também. Entre reviravoltas e suspense, descobrimos o que eram os Rubis, quem era o Paladino e claro, a origem da própria Lisandra. E não vou deixar de citar Tork, o troglodita anão (uma raça, por favor) que criou Lisandra, e que era anunciado como o terceiro baixinho mais invocado dos quadrinhos. Dá pra imaginar quem são os outros dois?
A história de Marcelo Cassaro, desenhada por Érica Awano, além de Rodrigo Reis, André Vazzios e Ricardo Riamonde ajudando na arte, foi o quadrinho brasileiro de maior longevidade, com 42 edições publicadas, além de especiais de cada personagem e o livro A Arte de Holy Avenger (que eu tenho, é adorável). Até uma animação estava em produção, tamanho o sucesso do quadrinho, mas só existe a abertura até agora.
Victory contava a história da semi-deusa Vitória, que diziam ser filha do Paladino, que foi encarregada de derrotar a tormenta, o que ela fez. Assim ela foi adormecida pra quando ela fosse necessário. Acabou acordando na Terra, junto com um grupo de jogadores de RPG (e um mestre apelão), onde precisava cuidar para que nosso planeta não fosse destruído por problemas oriundos da Arton. Victory foi dividida em duas séries, sendo a primeira composta de quatro edições onde Vitória luta com um antigo mal ancestral. Na segunda fase Vitória enfrenta o terrível deus da vaidade, um antigo inimigo que estreitava relações mais ternas com a semi-deusa. Vale lembrar que a história ficava fora da cronologia de Arton, pois no PRG mesmo, a Tormenta era uma chuva rubra, que vinha acompanhada de seres monstruosos. Tudo nela, desde apenas a visão das criaturas de lá até mesmo os pingos da chuva, podiam matar. Era o maior vilão do cenário, e por isso dava nome ao jogo. Outra coisa bacana do quadrinho, é que ele foi lançado nos EUA pela Image Comics, onde fez um certo sucesso.
Outro quadrinho que surgiu na época, mas que nunca teve lugar fixo, era Dado Selvagem. Esse até possuiu revista própria, mas a maioria das edições estava nas páginas da Dragão Brasil, revista de RPG e depois, foi lançada online. Tem como protagonistas Daice Commoner, um garoto de nove anos cujo maior sonho é se tornar um herói, e Hit, a insana e carismática louca da ponte. A história gira em torno de um artefato mágico de Nimb (deus do caos, da sorte e do azar), que foi entregue a Daice pelo próprio Dee, sumo-sacerdote do Deus!
O meu favorito era Dungeon Crawlers, de Marcelo Cassaro, com a arte de Daniel HDR e Ricardo Riamonde nas cores. Era uma história um pouco mais séria, e mexia com uma das melhores sacadas do RPG, a cidade dos Elfos que foi tomada pelos terríveis e horrorosos hobgoblins. Para tentar reencontrar a cidade e os segredos que ela escondia, a sacerdotisa de Tanna-Toh (deusa da sabedoria) Aurora e sua melhor amiga, Brigandine (que usava uma armadura enorme e um escudo maior ainda, já que não queria ficar feia por causa das cicatrizes), foram até Lenórienn. No caminho conhecem FREN, um elfo que ainda vivia por lá, que concordou em ajudá-las para tentar encontrar seu grande amor, que ficou presa na cidade, a princesa Tanya. Como Fren é um ser da floresta e Aurora da civilização, dá para imaginar as brigas entre os dois.
Outras histórias também em Arton foram Lua dos dragões, a primeira de Marcelo Cassaro, e Mercenários, que nunca teve a chance de ser terminada (até onde eu sei). Outros nomes que ajudaram a criar esses títulos e o mundo em que se ambientavam: Rogério Saladino, JM Trevisan, Petra Leão, Fran Elles, Lydia Megumi. Como podem perceber, eu fui muito fã do povo de Arton (o continente principal), joguei muito e claro, li muito. Juro para vocês que a minha brincadeira das aulas de espanhol era ver quem lembrava mais rápido o nome dos Deuses do Panteão ou dos Reinos que formavam o Reinado. E li muito as histórias em quadrinhos em sala de aula. Discutir os mistérios do cenário então, nossa, horas e horas perdidas. Se você tiver a oportunidade de ler, aproveite, pois é diversão do início ao fim.








27 comentários
Tweets that mention Tormenta, um RPG brasileiro que virou HQ | GN= garotas/nerds -- Topsy.com says:
jan 10, 2011
[...] This post was mentioned on Twitter by Daniela Moreira and others. Daniela Moreira said: RT @garotasnerds: Tormenta, um #RPG brasileiro que virou #HQ – http://goo.gl/x3qLc (por @repothab) [...]
Mestre Huya says:
jan 11, 2011
Holy Avenger é a melhor HQ brasileira (dentre as poucas que conheço) tanto em termos de estória como na arte, quadrinização, e na gostozice da elfa Niele mwagahahahaha
Pena que estão enrolando essa animação (se é que vai sair), daria tudo pra ver esse pessoal animado =/
Agora Tormenta foi minha porta de entrada no mundo do RPG, foi meu primeiro contato, foram meus primeiros livros de RPG e o cenário onde eu mestrei pela primeira vez. Amo o Panteão e sou um clérigo fervoroso de Nimb (ou não), afinal tem coisa melhor que a aleatóriedade e o caos?
Belo post! Conseguiu me deixar com vontade de visitar o mundo de Arton de novo o/
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Mestre Huya, sabe que enquanto eu escrevia esse post, me deu uma vontade forte de comprar os novos manuais. Acho que nem iria jogar, mas apenas para ler, por eu gosto muito do cenário e queria ver o que evoluiu desde que parei de ler.
Obrigada pelo comentário
Tek says:
jan 11, 2011
Ótimo artigo.
Tormenta deve ter um espacinho no coração de boa parte dos RPGistas brasileiros que acompanhavam as matérias da extinta Dragão Brasil e/ou que começaram a jogar através do 3D&T.
Só pra complementar, o Rod Reis também tem site: rodreis.com
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Nossa Tek, eu não consegui encontrar. Como eu tinha que trabalhar, nem pude procurar mais. Obrigada, vou modificar no texto.
Obrigada pelo comentário.
neto says:
jan 11, 2011
legalsss,,,,, mas prefiro Forgotten Realms,,,,
=]
Will says:
jan 11, 2011
Wow está ai o que me fez começar a jogar RPG ^_^
Tormenta é o cenário que comecei a jogar, que mais joguei, e que mas gosto de jogar…
Holy Avenger para mim é o melhor HQ brasileiro, muito bom mesmo =D
isso também me fez lembrar que ainda não li todo o Dungeon Crawlers, acho muito boa essa parte da história, tenho que correr atrás disso >.<
Queria jogar novamente em Arton, pena que meu grupo está meio que separado =/
Gostei muito do post, parabéns ^_^
Kruppa says:
jan 11, 2011
Muito bom o post Thab!
Enfim, o RPG vive uma fase de declinio, as vendas não andam boas e os eventos de RPG estão cada vez mais vazios, e lembrando que os livrinhos azuis (O primeiro era vermelho, como a tormenta) causaram um grande BOOM de jogadores, levanod muitos curiosos ao mundo fantástico RPGistico, não estou dizendo que todos ficaram no 3D&T ever, muitos foram para o D&D ou Storyteller, mas começaram com Tormenta (Ou invasão), pois os livros eram encontrados em bancas por um preço baixíssimo, logo, uma pessoa interessada na premissa vai achar mais fácil pagar R$ 10,00 em um livro que R$ 50,00+ em um gringo.
Precisamos de iniciativas para gerar um novo BOOM como esse!
Lucas Tardin says:
jan 11, 2011
Niele….. ah… Niele…
Ricardo Riamonde says:
jan 11, 2011
Olá Thabata!
É muito gratificante relembrar essa época e ver o quanto marcou a vida de muitos. Pra mim foi praticamente meu começo de carreira e que rende frutos até hoje.
Obrigado e parabéns pela matéria!
Bjs
Nat says:
jan 11, 2011
Adorei o post!
Nossa, eu tenho todas as edições de Holy Avenger!
Tormenta fez parte da minha vida e foi o primeiro rpg que joguei. Saudosismo que só… Hehe.
Nunca consegui encontrar as outras histórias. =/
Muuuito bom relembrar tudo isso! Vou reler os quadrinhos!
Parabéns.^^
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Neto, eu também, hoje, leio outras coisas. Mas quando saia, eu lia tudo, e acho que Tormenta tem suas qualidade ainda.
Obrigada pelo comentário.
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Will, eu também estava querendo jogr novamente, mas meu grupo debandou. Uma pena. Estou marcando com um novo grupo, porque o cenário é uma delícia.
Obrigada pelo comentário
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Kruppa, amigão, tudo verdade o que você disse. Falta novamente uma iniciativa tão legal quanto a Tormenta foi!
Obrigada por comentar!
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Ricardo Riamonte, wow. Eu admiro muito seu trabalho, como fã de HQ’s. Parabéns por tudo que tem dado certo na sua carreira e continue bom assim!
E muito obrigada pelo comentário.
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Nat, faça isso, eu também reli alguns, mas eram as especiais. É uma graça, né?
Obrigada por comentar.
Leleco says:
jan 11, 2011
Bons tempos em que eu jogava em Tormenta (:
Ótimo post Thab, e parabéns pela repercussão!
Vamos combinar de jogar qualquer dia, eu, você e o Kruppa Haha
Abraço,
Leleco
Thabata Borine says:
jan 11, 2011
Leleco, vc por aqui!!!
Siim, vamos jogar sim, porque bateu muita saudade!
Obrigada por comentar
Sarah says:
jan 11, 2011
o mais legal de Holy Avenger era o dracolich… um crânio flutuante de chapeuzinho q vira um ser reanimado overpower é totalmente épico!!!
Thabata Borine says:
jan 12, 2011
Tarso pegou mesmo todos de surpresa, Sarah.
Eu fiquei dias discutindo isso com os amigos.
Obrigada pelo comentário.
cris says:
jan 16, 2011
Ótimo post!!! Parabéns.
Lembrabdo que a tormenta também rendeu bons livros, o inimigo do mundo e o crânio e o corvo do Leonel Caldela são exemplos.
Adoro o site de vcs, é bem difícil encontrar garotas + RPG, é bom saber que não estou sozinha nessa.
Bjs
Prih says:
jan 17, 2011
Poxa, jah li Holy Avenger e jogo RPg baseado em Arton…..muito bom mesmo, o melhor são as narrações, Ouvindo Holy Avenger, segue o link:
http://www.youtube.com/watch?v=8JLzPoqgLWw
Depois eh soh peskisar no You Tube mesmo os outros episódios!
Muito bom, mostra que os BR são criativos tb e ke estamos ligados em RPG!
Beijos, adorei o blog.
Prih says:
jan 17, 2011
Ah,
se alguém kiser as HQ’s de Holy Avenger tenho em PDF se kiserem, mandem email: pri.umbelino@gmail.com pois na net eh dificil achar e eles naum vendem mais!
bjos.
Mestre Huya says:
fev 9, 2011
Querida Thabata,
Tenho muitos dos livros antigos de Tormenta, e com este post li e reli vários deles, repassei a história do panteão, e tudo mais!
Realmente é um ótimo cenário, e Holy Avenger é pra mim a melhor HQ que já foi feita no Brasil!
O podcast do qual eu participo, o Crônicas da Falha Crítica – http://cronicas.elisio.com.br – tem toneladas de falhas críticas das minhas mesas de tormenta e das dos meus amigos nos primeiros episódios XD
Se tiver alguma mande pra gente
Se ler o que saiu de novo em Tormenta, por favor faça um novo post ok? E que ele seja tão bom e cativante quanto este, eu espero!
Thabata Borine says:
fev 9, 2011
Nossa, eu preciso lembrar das falhas na mesa de rpg. Tanto tempo. adjkasdljasdkjadad
Se sair, eu aviso. Pode deixar.
Beijo e obrigada peo comentário
Promoção de Aniversário – Quadrinhos | Garotas Nerds says:
mar 28, 2011
[...] Jambo Editora, que atualmente cuida do material do Tormenta RPG, aquele mundo que foi matéria por aqui. A própria Jambo vai presentear vocês com a HQ DBride – A noiva do dragão, que [...]
Abertura de Holy Avenger e incentivo aos mangás RPG’s brasileiros o/ « Eternal Poose says:
set 25, 2011
[...] feito lá fora feito por brasileiros que está fazendo um enorme sucesso é no Mundo de Tormenta: Victory. E agora esta sendo lançando virtual o mangá de Ledd que achei as histórias phodas e espero que [...]