Vez ou outra, histórias de heróis poderosos com inimigos malignos cansam um pouco, e dá uma vontade de ler algo sobre “a vida real”. Entre zumbis e alienígenas, sempre dá tempo de dar uma olhada em revistas sobre pessoas comuns, nesse caso meninas comuns, ou quase. Essa semana eu recebi do meu amigo Fred Hildebrand a Nanquim Descartável 4. Escrita por Daniel Esteves (quem me mandou a revista) com desenho de diversos artistas.

Não há como não se identificar com os personagens que são fãs de quadrinhos, como todos nós, que estão começando a fazer um. Mas a história vai muito além disso, ela trata de relacionamentos, família, amizade e cozinhas sujas (?!). Os personagens principais poderiam muito bem estar na sua faculdade ou entre sua roda de amigos. Até os lugares que eles visitam são locais reais da cidade de São Paulo.

Então vamos conhecer os personagens! A Ju (que não chama Juliana, mas não diz o nome de verdade) é a roteirista do grupo, fã de HQ’s alternativas e faz jornalismo. Quando comecei a ler, eu a liguei a várias pessoas que cruzei pelo caminho, forçadas, com um jeito despojado e não parecendo se importar com nada, mas no fundo tudo que quer é atenção. Já a Sandra é leitora de mangás, e é a desenhista do grupo. Toda meiga e sonhadora, vive se apaixonando e é vegetariana. Gostei bastante por causa de uma amiga que é muito parecida com ela. Por último temos o Tuba, o arte-finalista e colorista, que só quer saber de uma coisa: “pegar mulher”.

Mesmo com apenas 4 edições, dá para perceber tanto o amadurecimento do roteiro quanto de alguns desenhistas que aparecem desde a primeira edição. Nos primeiros números, faltava um pouco de cola entre as histórias, elas soavam desconexas. Os personagens destonavam da realidade, como se as personalidades deles fossem forçadas a soarem legais. Mas isso mudou. Na quarta edição, talvez por ter mais páginas ou por que as apresentações não foram mais necessárias, a história correu mais suavemente. Os fatos das vidas deles, antes apenas citados, tomaram forma. O que antes era apenas um motivo para tal ato do personagem, agora é parte do contexto, e isso faz com que você se aproxime deles.

Ponto positivo para a volta dos fantasmas do passado das duas personagens femininas, que deu um empurrão no roteiro e me fez ficar até apreensiva. E para a história de família da Sandra, achei maravilhosa. Momentos como esses, que tocam o leitor, são, na minha opinião, o que tornam um quadrinho bom. Ah, e as cenas do Tuba tentando achar alguém para sair são hilárias!

Uma das coisas mais legais é a arte: em cada edição, diversos artistas trabalham. Alguns deles me encantaram bastante. Daniel convida diversos tipos de traços, entre mangás e HQ’s, estilizados ou mais próximos do real. Dá para ver um pouco da cara do quadrinho nacional. No final do post, deixarei escrito o nome dos desenhistas e páginas pessoais.

Agora vou falar um pouco do HQ em Foco, o pessoal que faz o quadrinho. É uma escola para ensinar a fazer HQ’s, resumindo. Eles tem espaço físico para as aulas, e o endereço está na página oficial deles, que está junto com os links. Além disso, fazem quadrinhos. Uma iniciativa de publicar e ensinar.

Se quiser dar uma olhada, entre os links está o de download das 3 primeiras edições. Leiam e se divirtam, e depois podem me procurar para falar o que acharam. Vamos dar apoio as Histórias em Quadrinhos brasileiras, que não se resumem só em Turma da Mônica. Se da última vez eu falei de RPG, dessa vez vamos ler sobre a vida quase real?

LINKS

Revista Nanquim Descartável: Página da revista | edição 1 | edição 2 | edição 3

Sobre a escola de arte: HQ em FOCO | Siga no twitter: @hqemfoco

Professor e roteirista da revista: Daniel Esteves | Professor e desenhista da revista: Wanderson de Souza | Professor e desenhista da revista: Alex Rodrigues

Arte (desenho, capa, arte-final): Júlio Brilha | Wagner de Souza | Maurício Mancuso | Carlos Eduardo | Rodrigo Priolo | Samuel Bono | Mário Cau | Mário César | Laudo Ferreira | Al Stefano | Fred Hildebrand | Luke Ross | Sandro Castelli