Um dos melhores quadrinhos da atualidade (que quase ninguém lê) é o Sexteto Secreto. Focado na história de vilões que caçam outros vilões, é um grupo que não é bom nem mau, apenas tem interesses. Atualmente, com as histórias fracas que cercam os heróis principais (opinião pessoal, sem grilos, galera), esse quadrinho chama atenção pelo roteiro sombrio, com direito a lutas, sangue, histórias profundas e o submundo do crime para Rorscharch nenhum botar defeito.

E quem escreveu muitas das edições desse quadrinho? Uma mulher chamada Gail Simone. Ela ficou conhecida por seu trabalho em Aves de Rapina, mas podemos citar diversas revistas em que ela passou, e em muitas delas, as histórias são de cair o queixo. Imagino que não deva ser fácil ser uma mulher num universo aonde, geralmente, homens escrevem para outros homens lerem, mas ela se sai muito bem (acho que acordei feminista hoje).

Ela começou escrevendo quadrinhos dos Simpsons para a Bongo Comics. Sua entrada no mundo mainstream se deu nas páginas de Deadpool. Quando esse foi cancelado, ela assumiu a Agente X. Deixou a revista por conflitos com o editor, porém retornou mais tarde.

Depois, migrou para DC Comics, assumindo o quadrinho Aves de Rapina, na edição 56. O quadrinho trata de um grupo de mulheres heroínas em Gotham City. Nesse, ela pode deixar o lado mais humorístico de Deadpool e começou a trabalhar o sério e sombrio. Deixou a revista na edição 108. Então, migrou para a Action Comics.

Em 2005 ela escreveu as 6 edições da Villains United, parte da Crise Infinita, onde revitalizou Catman. Escreveu também seu sucessor, uma minissérie de também 6 edições do Sexteto Secreto. Essa ficou tão popular que depois, virou uma série que está sendo publicada atualmente.

Com algumas idéias de Grant Morrison, ela escreveu o Eléktron (Atom, em inglês) sendo responsável pela criação do novo dono deste manto, Ryan Choi. Em 2007, ela deixou a revista para assumir Mulher Maravilha, onde foi a roteirista feminina que mais durou na revista (erroneamente foi chamada da primeira mulher a escrever o quadrinho, sendo que Mindy Newell, Trina Robbins e Jodi Picoult já o tinham feito). Ela parou de escrever na edição 600.

Outras revistas que ela escreveu foram: Canário Negro e Aves de Rapina para o Dia mais claro, Rapina e Columba, Legião dos Super-heróis, a revitalização do Gen13 (Wildstorm), entre outros.

Ela também foi responsável pela criação do termo “Women in refrigerators” (Mulheres na geladeira), uma expressão para falar sobre todas as personagens femininas que foram estupradas, machucadas, mortas ou tiveram suas vidas arruinadas para alimentar as histórias masculinas. A expressão se dá por causa de um episódio na vida do Lanterna Verde Kyle Rayner onde ele encontra um bilhete da namorada dizendo para olhar na geladeira, e quando ele o faz, a encontra despedaçada lá dentro. A lista das personagens que se encaixam nessa “categoria” pode ser encontrada aqui.

Eu ainda não tinha escrito sobre mulheres nos quadrinhos, mas como esse é um blog de garotas nerds, não podia deixar de rolar um post sobre algo mais feminino, se é que podemos chamar as histórias dela assim. Simone apela para as histórias sombrias, envolvidas no submundo, e ninguém pode dizer que ela escreve quadrinhos como uma “mulherzinha”. Um tapa na cara de quem acha que mulher não gosta de comics.