Todo mundo aprende alguma coisa com seu melhor amigo. O meu me ensinou sobre Magic: The Gathering. Para quem não conhece, Magic é o primeiro jogo que surgiu do tipo TCG, do inglês “Trading Card Game” (jogo de trocas de cartas, em tradução livre), criado pelo matemático e designer de games Richard Garfield em 1993, e ainda é um dos mais relevantes em seu segmento.

O fato de seu criador ser um matemático já dá pistas de sua dificuldade. O que, à primeira vista, pode parecer uma inocente competição de figurinhas, como o “Super Trunfo” de nossa infância, tem camadas e mais camadas de estratégias intrincadas, provando que o lúdico tem muito a nos ensinar.

Trazendo elementos de RPG, o jogo, que, na maioria dos formatos, envolve partidas do tipo 1 contra 1, parte da premissa de que somos magos poderosos, denominados “planeswalkers” (até recentemente traduzidos como “planinautas”), manipulando um baralho que pode ir de 40 a 100 cartas, de acordo com o formato escolhido para jogar, na intenção de destruir o mago oponente – ou seja, zerar a pontuação de vida que lhe é atribuída.

Dia do Orgulho Nerd: a representatividade feminina em Magic: The Gathering

A princípio, o fato de ser um jogo individual pode passar a impressão de se tratar de algo solitário, ou pouco interativo. A ideia não poderia estar mais errada. Por ter se popularizado em formato físico, a experiência de jogar Magic envolve frequentar uma loja autorizada a sediá-lo e, inevitavelmente, isso lhe trará novas – e ótimas – amizades.

Como fruto de seu tempo, porém, Magic sofria (e eu creio que estou fazendo bom uso do tempo verbal) do malfadado preconceito contra as mulheres jogadoras. E isso não é, e nunca foi, culpa do jogo em si, mas da forma como a sociedade influenciava os jogadores. Felizmente, estes são tempos cada vez mais remotos.

Por ter sido introduzida tardiamente a este universo (conheci o jogo em 2014, mas me considero jogadora apenas desde 2016), não passei pelo que sei que outras garotas passaram, mas acompanhei alguns dos eventos recentes que foram essenciais para a mudança do papel feminino em Magic no Brasil.

Dia do Orgulho Nerd: a representatividade feminina em Magic: The Gathering

A Liga das Garotas Mágicas, grupo de meninas que, a partir de julho de 2015, se uniram para divulgar a representatividade feminina no jogo, sem dúvida contribuiu muito para o atual estado da comunidade. Pouco tempo depois, em janeiro de 2016, a ex-YouTuber de Magic Carolina Moraes passou a compor a equipe da Wizards of the Coast, empresa responsável pelo jogo, como gerente da comunidade de Magic do país. E eu, que não esperava ter um envolvimento tão grande, me vi também como YouTuber, analisando periodicamente as novas coleções.

No cenário competitivo, os eventos abertos que acontecem ao redor do mundo, chamados de Grand Prix, tiveram muito recentemente sua primeira campeã: Jessica Estephan entrou para a história do jogo ao vencer o GP de Sidney, em abril de 2018, e, com isso, faturar, junto com sua equipe, 15 mil dólares. Vale lembrar que, em São Paulo, o Grand Prix acontecerá nos dias 6 a 8 de julho, e temos tudo para vermos uma campeã também por aqui.

Dia do Orgulho Nerd: a representatividade feminina em Magic: The Gathering

A luta para que mais mulheres joguem Magic não cessou. E não apenas para que joguem, mas se sintam acolhidas nas lojas, tratadas de igual para igual, como deve ser em todas as parcelas da sociedade. Hoje somos lojistas, juízas, jogadoras profissionais, e, acima de tudo, inspiração para as gerações futuras. Lugar de mulher é onde ela quiser, e, se ela quer estar em um torneio internacional de TCG, competindo com milhares de pessoas, pode ter certeza que será páreo duro.

Um feliz Dia do Orgulho Nerd para você que, assim como eu, torce por mais mulheres nerds, jogadoras, e, sempre, vencedoras.

Isis Duarte

Isis Duarte

Paulistana, advogada e nerd. Cinéfila em tempo integral e gamer nas horas vagas. Além de escrever para o Garotas Nerds, escreve para o Guik e é coapresentadora no canal de YouTube "Fazendo Nerdice".
Isis Duarte

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