Foi num dia difícil, triste e pesado da minha vida que um focinho preto e brilhante bateu na minha porta. Tinha feito nem mesmo uma hora que minha Danka, um labrador preto de 11 anos, morrera na minha sala, quando uma vira lata compridona esticou olhos pidonchos pra cima do meu portão. Meu pai quem viu primeiro, e eu só vi quando ele entrou na sala, eu ainda sentada chorando a morte da outra, avisando: vou abrir o portão, tem um cachorro querendo entrar.
Esse foi o dia que a Rita me adotou. Ela estava magrela, cansada, tinha marcas de sangue que depois descobri que era só o primeiro cio, motivo pelo qual ela deve ter sido abandonada. Cachorra bonita e obediente, você via que tinha pouco tempo desde o último banho. Dentes novinhos, orelha limpa, unha aparada. Será que perderam? Por que a marca de coleira usada por muito tempo no pescoço? Quem teria coragem de abandonar esse bichinho?
Chamei de Rita por causa de Ritalina, um anti-depressivo que espero nunca chegar a tomar. Ela era minha dose de alegria num momento duro pelo qual tinha evitado de imaginar como seria passar. Tinha uma sede tremenda, era arredia, medrosa e respondeu com uma mordida servida na mão do Filipe, meu namorado, que queria ver se ela estava machucada.
Isso foi em Setembro, 21.
Hoje ela dorme dentro de casa, e ganhou um irmão mais velho, mas que chegou depois dela. Rita é minha primeira experiência de posse efetiva de algum bicho. Antes os bichos eram “da casa”. Eram meus porque eu morava aqui, mas quem bancava e cuidava eram meus pais. Agora, eles só comem porque eu pago e sirvo a ração, só passeiam porque eu levo, tomaram vacinas, vermifugação, foram castrados, tudo por minha conta e risco.
Não é barato manter um cachorro. Dois, é uma conta bem alta. E não se iluda: cachorro é que nem filho porque além de casa, comida e quintal limpo ele vai querer seu amor, sua atenção. E vive muito. Se hoje você está pensando um “como é bonitinha essa cachorra”, experimente pensar que ela vai viver pelo menos uns 10 anos. Que vai ter horário pra comer, que vai sujar seu quintal e que vai querer sair pra passear, e que eventualmente ficará estressado. Pode chegar até mesmo a destruir AQUELE seu tênis predileto que você esqueceu ao alcance dos dentes nada pequenos dele.Que ficará doente e precisará de cuidado. E que ao envelhecer, terá as mesmas doenças que você terá e que isso não te dá o direito de abandonar na rua, jogar no fundo do quintal ou dar pra outra pessoa.
Afinal, era isso que você esperava que fizessem contigo, não é mesmo? Não?! Puxa vida! Que bom. Pois não tente fazer o mesmo com o cachorro/gato/passarinho que você escolheu pra chamar de seu.
Muito prazer, meu nome é Lilian, e eu vim aqui pra falar de bicos, focinhos, patinhas e dentes grandes.





março 18th, 2010 at 16:44
Na verdade, são eles que nos adotam. Nos protegem e nos amam incondicionalmente. Os custos e cuidados se minimizam, comparados à delícia de ter um bichinho de bico ou focinho esperando por você, todos os dias.
Bem vinda, Lili.
Amei esse novo assunto no GN.
Beijoca
março 18th, 2010 at 17:11
Já diz a Pedigree: Cachorro é tudo de bom. E gato. E peixe. E tudo mais.
Ler sobre isso aqui toda semana também será, tenho certeza.
=)
março 18th, 2010 at 17:13
bah, que tri!
março 18th, 2010 at 17:36
Dorei Lili!!!!
Tenho super experiencia com gatos… o dia q precisar de histórias, eu tenho várias!!!
Hahahhahahha
Beijoooo
março 18th, 2010 at 19:21
Como veterinário, assino embaixo! Ótimo post!
março 18th, 2010 at 19:50
Nossa, os bichinhos são uma responsabilidade e tanto. Eu ja tive dois gatos e um cachorrinho lindo, mas minha mãe acabou dando eles.. Foi triste demais. Mas enfim, ainda quero ter meus bichinhos, cuidar deles como filhinhos mesmo e ser a mamãe deles. acho isso tão fofo!
Beijoss
março 18th, 2010 at 20:26
Rita, você é linda. E sábia. VOcê está de parabéns por adotar a Lilian!
março 22nd, 2010 at 07:54
Lilian, nunca vi nenhum cachorro meu morrer, mas já perdi um Pastor Alemão e como isso me doeu! Na época era pequena, mas desde bebê aquela cadela era minha companhia em todas as tardes e não tinha jeito de nos darmos mal. Enfim, é isso mesmo! Um focinhno se vai e temos que dar a chance de outro contagiar nossa vida de novo!
Eu que o diga, sempre tive cachorros, cada um com seu jeitinho.
Vou adorar esse tema,
abril 10th, 2010 at 01:40
Ola eu tenho tres perikitos ,dois cachorrros ,um ja esta bem velhinho ,e precisa de ajuda p tudo ,e um novinho um pincher ,que parece humano em tudo ,na fome na carencia ,no amor ,e no estres , mas eu os amo ,e naum imagino eles passando necessidades ,saum aalegria da casa,quando vejo animais pela rua ,fiko com um aperto muito grande no coraçao ,por naum poder ajudar ,adotar um animal ,naum pode ser levado na brincadeira ele passa a ser alguem da familia , e tem que ser tratado como tal ,linda materia parabens !!!!!!!!
abril 10th, 2010 at 14:25
Adorei o post. É muito difícil ver um post sobre animais que fale o real trabalho que eles dão, apesar de tudo não imagino minha vida sem meus animais!