Faz um tempo que acho a cerimônia anual de entrega do Oscar chata pra danar, a ponto de fazer a gente dormir no meio da coisa toda. Isso porque os prêmios me pareciam injustos e óbvios demais, as piadas sem graça, os discursos entediantes, a cerimônia em si deveras longa.

Sei lá, nunca fui de dar muito prestigio ao Oscar como premiação séria de cinema. Pra mim ele sempre foi mais sobre glamour, tapete vermelho, vestidos e quem-está-comendo-quem e quase nada sobre reconhecimento de grandes filmes. Quando gosto de um filme, o acompanho desde seu lançamento e sua performance em cada premiação, desde Cannes, Sundance, Berlim e outros festivais menores, para os quais o mundo não liga muito até, inevitavelmente, culminar no glamoroso Oscar, a festa máxima da indústria cinematográfica americana. Portanto, a meu ver sempre teve gostinho de grand finale, mas nunca de atração principal.

Esse ano, os organizadores decidiram não repetir o fiasco do ano passado convidando atores novatos para apresentar o show e chamaram logo o Billy Crystal, (que apresentou dezenas de edições anteriores do prêmio) garantia de rapidez e piadas no estilo Saturday Night Live, que o americano adora e já está bem familiarizado. Ponto para a Academia.

Ao contrário dos outros anos, porém, achei a cerimônia extremamente objetiva, rápida sem muitos melindres e gracinhas, sem enormes e inflamadas apresentações de concorrentes a Melhor Canção Original e outros mise en scènes.

Os grandes vencedores da noite como já era de se esperar foram A Invenção de Hugo Cabret, de Martin Scorcese, que acabou levando estatuetas em categorias ditas “técnicas” – (Fotografia, Direção de Arte, Edição e Mixagem de Som, Efeitos Especiais, totalizando 5 prêmios) e O Artista, filme francês, mudo, dirigido por um desconhecido Michel Hazanavicius que acabou quebrando a banca e levando o Oscar nas categorias mais cobiçadas como: Direção, Melhor Ator (Jean DuJardin), Melhor Filme, Trilha Sonora e Figurino, tirando o doce da boca de diretores consagrados como Terrence Malick (A Árvore da Vida) Martin Scorcese (A Invenção de Hugo Cabret) David Fincher (Os Homens Que Não Amavam as Mulheres) entre outros.

Um prêmio merecidíssimo. O Artista é um primor. Uma “velha novidade” que arrebata corações amantes do cinema arte, sem ser chato, e que alivia olhos e mentes cansadas de tantos filmes em 3D, efeitos especiais, explosões sem fim e roteiros que rompem cabeças.

No final das contas é uma história simples, contada de modo simples, mas do modo certo. Todos os louros a Michel Hazanavicius, um estrangeiro que ousou peitar Hollywood e sua fantástica fábrica de fazer dinheiro.

Os outros grandes prêmios ficaram com Meryl Streep (oh, que surpresazzzzzzzz…) como Melhor Atriz por ter encarnado Margareth Tatcher em A Dama de Ferro (que também levou prêmio de Melhor Maquiagem, injusto a meu ver, já que concorreu com Harry Potter e As Relíquias da Morte).

Meryl já ganhou um Oscar por A Escolha de Sophia, foi indicada outras trocentas mil vezes na categoria e na minha opinião quem deveria ter ganho era Viola Davis, por seu papel em Histórias Cruzadas.

Michelle Williams também está sensacional em Minha Semana com Marylin e Glenn Close arrasa em Albert Nobbs.

O grande Christopher Plummer, o eterno Capitão Von Trapp em meu coração, levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante em Beginners. Seu primeiro Oscar, aos 85 anos. Plummer ocupa o posto de ator mais velho a receber a premiação.

Octavia Spencer levou pra casa a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante em Histórias Cruzadas, um drama sobre segregação racial e relação entre empregadas domésticas e suas patroas nos EUA dos anos 60, muito tocante e bem feito.

Outra grata surpresa da noite foi o ótimo filme iraniano, A Separação, de Asghar Farhadi ter conquistado o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Um filme denso, que vai ao fundo a questões como religião, preconceito, papel da mulher na sociedade islâmica, família, papel da sociedade ocidental em relação a tudo isso. Sensacional.

Pra variar, não deu Brasil em Melhor Canção Original. Quem acabou levando o prêmio foi a canção A Man or a Muppet de Bret McKensie, do filme Os Muppets, um erro crasso em minha opinião. Apesar de estar morrendo de medo do discurso que Carlinhos Brown faria, é FATO que a música belíssima dele e de Sérgio Mendes deveriam levar o prêmio.

Quem apostava em Os Descendentes acabou se dando mal. Seu protagonista, George Clooney, acabou perdendo o prêmio de melhor ator para Jean DuJardin e o único Oscar que a película levou foi de Melhor Roteiro Adaptado.

Um de meus diretores prediletos, Woody Allen, levou, muito justamente, o Oscar de Melhor Roteiro Original por Meia-noite em Paris, nem de longe um de seus melhores filmes, mas muito doce cativante. Avesso ao BADALO, Woody ficou em casa vendo TV com Soon Yi e criticando todo mundo.

No mais, é isso. Jennifer Lopez foi vestida de piriguete deixando claro que ainda era a Jenny from the block, a profusão de vestidos vermelhos me fez pensar que a galere tava querendo combinar com o tapete, Rooney Mara foi vestida de NABO, Meryl Strip foi vestida de ovo de páscoa num vestido de lamê dourado e Angelina Jolie deve estar fazendo greve de fome porque quer adotar mais uma criança dos cafundós do Judas e Brad deve estar sendo contra. Tá magérrima a coitada chamem a ONU.

A sessão In Memorian foi rapidíssima, mas valeu a pena pela voz da sensacional Esperanza Spalding. A gentchy só acha que ela devia ter cantado WHITNEY.

Abaixo a lista completa dos premiados:

Filme

Cavalo de Guerra
O Artista
O Homem que Mudou o Jogo
Os Descendentes
A Árvore da Vida
Meia-noite em Paris
História Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Tão Forte e tão Perto

Diretor

Michel Hazanavicius – “O Artista”
Alexander Payne – “Os Descendentes”
Martin Scorsese – “A Invenção de Hugo Cabret”
Woody Allen – “Meia-noite em Paris”
Terrence Malick – “A Árvore da Vida”

Ator

Demián Bichir – “A Better Life”
George Clooney – “Os Descendentes”
Jean Dujardin – “O Artista”
Gary Oldman – “O Espião que Sabia Demais”
Brad Pitt – “O Homem que Mudou o Jogo”

Atriz

Glenn Close – “Albert Nobbs”
Viola Davis – “Histórias Cruzadas”
Rooney Mara – “Os Homens que não Amavam as Mulheres”
Meryl Streep – “A Dama de Ferro”
Michelle Williams – “Sete Dias com Marilyn”

Ator Coadjuvante

Kenneth Branagh – “Sete Dias com Marilyn”
Jonah Hill – “O Homem que Mudou o Jogo”
Nick Nolte – “Warrior”
Max Von Sydow – “Tão Forte e tão Perto”
Christopher Plummer – “Toda Forma de Amor”

Atriz Coadjuvante

Octavia Spencer – “Histórias Cruzadas”
Bérénice Bejo – “O Artista”
Jessica Chastain – “Histórias Cruzadas”
Janet McTeer – “Albert Nobbs”
Melissa McCarthy – “Missão Madrinha de Casamento”

Melhor Filme Língua Estrangeira

“Bullhead” – Bélgica
“Footnote” – Israel
“In Darkness” – Polônia
“Monsieur Lazhar” – Canadá
“A Separação” – Irã

Melhor Animação

“A Cat in Paris”
“Chico & Rita”
“Kung fu panda 2″
“Gato de Botas”
“Rango”

Documentário

(longa-metragem)

“Hell and Back Again”
“If a Tree Falls: A Story of the Earth Liberation Front”
“Paradise Lost 3: Purgatory”
“Pina”
“Undefeated”

Roteiro Adaptado

“Os Descendentes”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Tudo pelo Poder”
“O Homem que Mudou o Jogo”
“O Espião que Sabia Demais”

Roteiro Original

“O Artista”
“Missão Madrinha de Casamento”
“Margin Call”
“Meia-noite em Paris” (Woody Allen)
“A Separação”

Fotografia

“O Artista”
“Os Homens que não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret” (Robert Richardson)
“A Árvore da Vida”
“Cavalo de Guerra”

Direção de Arte

“O Artista”
“Harry Potter”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Meia-noite em Paris
“Cavalo de Guerra”

Figurino

“Anonymous”
“O Artista”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Jane Eyre”
“W.E.”

Maquiagem

“Albert Nobbs”
“Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″
“A Dama de Ferro”

Edição

“O Artista”
“Os Descendentes”
“Os Homens que Não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“O Homem que Mudou o Jogo”

Edição de Som

“Drive”
“Os Homens que não Amavam as Mulheres”
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Transformers: o Lado Oculto da Lua”
“Cavalo de Guerra”

Mixagem de Som

“Os Homens que não Amavam as Mulheres”
“A Anvenção de Hugo Cabret”
“O Homem que Mudou o Jogo”
“Transformers: o Lado Oculto da Lua”
“Cavalo de Guerra”

Efeitos Visuais

 “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2″
“A Invenção de Hugo Cabret”
“Gigantes de Aço”
“Planeta do Macacos”
“Transformers: o Lado Oculto da Lua”

Trilha Sonora Original

“As Aventura de Tintim” – John Williams
“O Artista” – Ludovic Bource
“A Invenção de Hugo Cabret” – Howard Shore
“O Espião que Sabia Demais” – Alberto Iglesias
“Cavalo de Guerra” – John Williams

Canção Original

“Man or Muppet”, de “Os Muppets”, música e letra de Bret McKenzie
“Real in Rio”, de “Rio”, música de Sergio Mendes e Carlinhos Brown, letra de Siedah Garrett

Curta-metragem

“Pentecost”
“Raju”
“The Shore”
“Time Freak”
“Tuba Atlantic”

Documentário

(curta-metragem)

“The Barber of Birmingham: Foot Soldier of the Civil Rights Movement”
“God Is the Bigger Elvis”
“Incident in New Baghdad”
“Saving Face”
“The Tsunami and the Cherry Blossom”

Curta-metragem Animação

“Dimanche”
“The Fantastic Flying Books of Mr. Morris Lessmore”
“La Luna”
“A Morning Stroll”
“Wild Life”