Sexta passada, dia 23 de janeiro, um colega de trabalho reuniu um pessoal para a sua despedida, ele vai começar vida nova em outra cidade e em outra agência. Resolvi ir, tranquilo assim. E estando lá, chamei uma amiga minha, que mora perto do bar onde estavamos para me encontrar lá. Blz né?
Aí ela me diz para passar na casa dela depois que de lá iriamos sair para uma alguma festa….Não cheguei a confirmar que iria, mas os meus planos eram de sair do bar e ir na casa dela.
Bom, era umas 23h15 quando resolvi ir embora, me despedi do pessoal, tranquilo assim, meio com sono, mas com vontade de sair…Eu sai do bar pensando em me localizar melhor para saber se poderia ir a pé ou pegar um táxi..afinal a minha amiga morava muito perto dali, eu só não sabia direito pra que lado..enfim resolvi ir até a esquina (no caso eu estava na Rua Sarmento Leite, bairro Cidade Baixa em POA e fui até a Perimetral).
Chegando na Perimetral, eu vi uma mulher (da qual lembro bem) e mais duas pessoas na parada de ônibus, e a rua estava bem iluminada..logo conclui que poderia ir mais um pouco adiante, assim verifiquei que seria perigoso continuar sozinha, o caminho até a casa da minha amiga tava muito vazio e daria umas duas quadras da onde eu tava, então comecei a voltar, até avistei um táxi passando ali, e ainda pensei “vou pegar um táxi por aqui mesmo”, mas não deu tempo, foi eu dar uns dois passos e dois caras me abordaram, um deles tinha uma faca, realmente não consigo lembrar do rosto deles, nem do que eles me disseram..Um deles puxou a minha bolsa, enquanto o outro me segurou, e em reação eu acabei segurando a bolsa, aí o segundo me segurou pelo pescoço, com a mão que estava com a faca e o outro pegou a bolsa, aí ele me derrubou no chão. Na hora, a única coisa que me passou pela cabeça, foi em voltar para o bar e falar com os meus amigos, dali eles me levaram para a fazer o boletim de ocorrência na Delegacia de Pronto Atendimento (Av. Ipiranga, 1805) e depois para o hospital, pois eu tinha batido a cabeça e o cotovelo.
Bom aí vocês me dizem, “puxa vida, você saiu sozinha aquela hora!”, sim eu saí, como sempre faço, sempre fui pão-dura demais para pegar um táxi e andar uma quadra e nunca fui medrosa o suficiente para não sair assim, se expondo. Logo, deu no que deu. Um dia aconteceu. Quando a gente menos espera.
É uma sensação muito estranha, um susto muito estranho. Podia ter sido pior, se eu tivesse continuado caminhando até o viaduto e resolvido atravessar por baixo…
O sentimento é uma mistura de medo e de raiva, de mim mesma, por não ter me cuidado, e raiva de quem fez isso. Também me sinto estranha ao sair na rua, sensação esquisita de medo. E é claro, até o momento, essa historia está em loop na minha cabeça, mas aos poucos vai diminuindo…
E ainda, só para ajudar, no local onde fiz o registro da ocorrência, a má vontade de quem me atendeu era gritante. Foi foda. Aí você vê, quem está cuidando de você. Acho que ninguém.
No sábado, um senhor me ligou dizendo que tinha encontrado os meus documentos, morri de medo. Segundo a minha roomatte, que conhece quem já passou por isso, poderia ser o próprio assaltante, ainda tentando extorquir alguma grana. Então, antes de ir buscar meus documentos resolvi ir na delegacia, pedir alguma instrução, ou ajuda. Preciso mencionar a má vontade no atendimento? Durante as férias, nos finais de semana não tem policias de plantão na 1ª Delegacia de Polícia Civil, logo não tinha quem me acompanhasse. Então ligaram para a delegacia onde fiz o registro da ocorrência, mas não tinha viatura…Assim, me disseram para procurar a Brigada Militar. Cheguei a ir em um posto, no Centro de POA, e me instruiram que ao chegar no local onde eu ia pegar meus documentos, eu deveria ligar para o 190. Mas no final, foi tudo muito tranquilo, não era um dos assaltantes (não lembro do rosto, mas eram guris novos) e nem pediu dinheiro por isso.
Talvez tenha sido exagero meu falar com a polícia para ir buscar meus documentos, mas foi difícil não sentir medo. Várias vezes ao lembrar do fato, eu chorava, e juro que não tava pensando no celular, nem no mp3 que eu perdi…nem na minha agenda, nem no chaveiro que eu “compartilho” com a minha melhor amiga, a quase 10 anos, simplesmente vem aquele aperto…
De fato, nunca pensei que isso fosse acontecer, e com certeza já aconteceu de maneira muito pior com outras pessoas. Eu podia ter agido diferente, é o que eu mais penso, mas aconteceu e não tem como voltar atrás. E como já disse, se foi ruim desse jeito para mim, que na verdade saí inteira da história, imagine o que não sente quem é torturado, estuprada…assim….de graça? Não é nada boa a sensação de ser segurado a força por uma pessoa com uma faca na mão…
E é engraçado como as vezes leva tempo para conseguirmos alguma coisa…e podemos perder assim tão fácil e tão rápido. Tem uma frase, que eu sempre levei comigo: “tudo o que nós temos, pode ser tirado, mas tudo o que nós sabemos, ninguém nos tira”, é mais ou menos isso…Logo, vale mais todas as experiências que passamos, boas ou ruins, todos os momentos com amigos, todas as viagens, livros que lemos…do que qualquer outra coisa. Coisas podemos perder e depois adquirir mais e outras, mas conhecimento, experiências…só aumentam.
Eu espero a ter aprendido a ser mais cuidadosa e que a minha vida vale mais do que qualquer coisa que cabe dentro de uma bolsa ou uma corrida de táxi de 5 pila…
E eu havia pensado em outros temas para esse post (talvez o mais sincero que já escrevi), mas esse foi o único assunto em que consegui pensar o final de semana todo. Acho que não preciso dizer o porquê.
#bjosmetwitta pois ainda to sem celular.
E a quem possa interessar: quando se encontra objetos nas ruas ou em qualquer local, roubados ou perdidos, deve levá-los aos Correios, na sede Central (pelo menos aqui em POA) e quando a Polícia encontra algo nas investigações, essas ficam na 1ª Delegacia de Polícia, localizada na Rua Riachuelo 613, no Centro (talvez se encontre também em outra delegacia, mas você tem que correr atrás, não te dão retorno sobre nada). E é claro que ninguém na Delegacia de Pronto Atendimento (nesse local é só se faz o registro da ocorrência e algumas prisões) fez questão de me explicar isso, eu tive que perguntar várias vezes.
p.s: pelo menos a imagem que ilustra o post tinha que ser engraçada neh?