Avatar. Não, não os smurfs gigantes com trancinhas USB, o verdadeiro, aquele do garotinho que tem um bisão voador e controla o ar.
Eu estava muito ansiosa para o lançamento desse filme. Sou muito fã do desenho e acho que foi uma das melhores investidas da Nickelodeon nos últimos tempos. Se você não gosta de anime, abra uma exceção. Avatar não se trata só de carinhas engraçadas ou clichês do gênero, muito pelo contrário. O enredo é fascinante e, os personagens, muito carismáticos.
Logo quando soube da adaptação pros cinemas eu fiquei logo “OMG!!! OMG!!! OMG!!! O Appa em 3D realista, o Sokka, o Aang, OMG!!!!”… Mas aí soube que o diretor seria ninguém menos que M. Night Shyamalan… #FAIL
Se você só conhece o Shyamalan de “O Sexto Sentido”, ótimo, porque é a única coisa dele que presta. Aliás, este é, com certeza, um dos filmes que mais me emociona e assusta (aquela mulher que passa quando ele ta no banheiro? O.O), não importa quantas vezes eu tenha visto. As outras obras dele, “A Dama na Água” e “Fim dos Tempos” são das coisas mais bizarras que eu já assisti, me levando a pensar como na vida algum estúdio deu milhões pra ele fazer aquilo. Não coloco “A Vila” nessa leva de fracassos totais porque, apesar de a protagonista correr pela selva mais rápido que Usain Bolt, no fundo… beeeem no fundo… (spoiler) a idéia de pessoas se esconderem em uma reserva para se protegerem das maldades do mundo exterior até me parece poética. Ponto pro Shya.
Mas então, estava eu, ansiosíssima para a estréia de O último mestre do Ar. Entrei em frenesi nos primeiros minutos do filme, já que o diretor retratou a abertura do desenho exatamente como é, com pessoas fazendo as dobras dos elementos (isso é linguagem do desenho, ta? “Dobrar” é a mesma coisa que manipular). Os personagens foram bem escalados fisicamente e até que o Jackson Rathborne deu um bom Sokka, mas é só isso.
Os atores foram estupidamente mal dirigidos, a história foi completamente embolada e, pra quem estava no cinema, sem ter visto o desenho, tentando entender o que estava se passando, não foi uma boa experiência. Eu só não estava entendendo como aquilo seria possível, já que ele tinha todos os recursos pra fazer dar certo. Em cinema todos os recursos = dinheiro + boa equipe .
Até que consegui entender! No meio do filme surge o vilão da história, o Comandante Zhao, um cara inescrupuloso, mal caráter e manipulador. E quem estava interpretando o Comandante Zhao? TCHARAM! M. Night Shyamalan. É amigas, o ego dele permite que ele dirija e atue (mal) ao mesmo tempo. Então entendi os problemas do filme: O tempo que ele gastou tentando ser um personagem poderia ter investido em, por exemplo, treinar melhor os atores, que não eram ruins, ao contrário do que muita gente anda dizendo. Se você viu “Quem quer ser um milionário” sabe que o protagonista é um ótimo ator. Pois é, esse rapaz era o Príncipe Zuko, um dos protagonistas da história, e ele nem de longe foi tão bem sucedido em “O último mestre do Ar” como foi no aclamado filme pseudo-indiano vencedor do Oscar.
Um ponto crucial pra mim é o humor da série, que, surpresa!…Foi desrespeitado. O Sokka não tem um pingo de ironia em suas veias, a Katara é qualquer coisa menos estouradinha e o Tio Hiro, meu personagem favorito, não era velhinho, nem barrigudo e muito menos engraçado.
Pois é, mais uma adaptação mal sucedida… Brincadeiras à parte, não acho que semelhança física seja fator determinante no resultado final de uma adaptação, mas respeitar a história e ser fiel ao enredo é uma ótima maneira de começar a ter sucesso.
Shyamalan está ameaçado em Hollywood, pois ninguém quer patrocinar filmes que não atraem público. Me parece que ele é um bom roteirista e que sabe vender bem seu peixe para a indústria, mas os resultados não têm sido bons desde sua estréia com “O sexto sentido”.
Normalmente, quando o segundo filme de um diretor novo é ruim, pensa-se que ele sofreu muita pressão para alcançar o nível do primeiro filme e que no próximo vai ser melhor, pois ele já estaria acostumado ao ritmo, e etc. Parece que com Shyamalan foi ao contrário. Ele estava no ritmo no primeiro e no segundo, depois disso, a carroça desceu morro abaixo, desgovernada, conduzida por um cavalo manco. Eu mesma já estava determinada a não ver mais nenhum filme dele, mas, em nome do meu amor pela produção da Nick, dei mais uma chance. Cheguei até a postar no meu Twitter “one more shot for Shyamalan”, mas o tiro saiu pela culatra.
Me entristece muito que essas pessoas abençoadas com produtoras milionárias e orçamentos gordos façam miséria em suas adaptações. Prestar-se a ser diretor significa muito mais que simplesmente fazer as coisas do seu jeito, significa assumir o risco de fazer um bom trabalho e pensar em soluções que o público não pensaria, mas, pelo que eu vi, o que não faltava no fim da sessão eram fãs, que, como eu, comentavam alternativas para os pontos fracos do filme e que com certeza dariam melhores resultados.
Se é bom ou ruim, ainda não sei, mas o filme terá continuações, já que o filme que está em cartaz é equivalente somente à primeira temporada do desenho. Se pudermos ser abençoados com a ausência de Shyamalan na segunda parte, o Livro da Terra, teremos mais chances de sair felizes das salas de exibição.
Bem que o Christopher Nolan podia se interessar, né não?
ERRATA: É o seguinte, obviamente eu procurei na internet antes de postar que o Shya interpretava o Zhao, mas cometi o erro de não conferir no IMDB, que deveria ser minha primeira opção. Assim como eu, muitas pessoas se enganaram devido à semelhança física, mas o importante é que vocês, leitores, estão atentos e ajudam a gente que está escrevendo a melhorar cada vez mais. Obrigada a quem me alertou para o erro. Desculpem essa estreante que vos fala, já que ela estava empolgadíssima quando escreveu.




















