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O Último Mestre do Ar

Pulicado em 02 setembro 2010 por Vanessa Moore

Avatar. Não, não os smurfs gigantes com trancinhas USB, o verdadeiro, aquele do garotinho que tem um bisão voador e controla o ar.

Eu estava muito ansiosa para o lançamento desse filme. Sou muito fã do desenho e acho que foi uma das melhores investidas da Nickelodeon nos últimos tempos. Se você não gosta de anime, abra uma exceção. Avatar não se trata só de carinhas engraçadas ou clichês do gênero, muito pelo contrário. O enredo é fascinante e, os personagens, muito carismáticos.

Logo quando soube da adaptação pros cinemas eu fiquei logo “OMG!!! OMG!!! OMG!!! O Appa em 3D realista, o Sokka, o Aang, OMG!!!!”… Mas aí soube que o diretor seria ninguém menos que M. Night Shyamalan#FAIL
Se você só conhece o Shyamalan de “O Sexto Sentido”, ótimo, porque é a única coisa dele que presta. Aliás, este é, com certeza, um dos filmes que mais me emociona e assusta (aquela mulher que passa quando ele ta no banheiro? O.O), não importa quantas vezes eu tenha visto. As outras obras dele, “A Dama na Água” e “Fim dos Tempos” são das coisas mais bizarras que eu já assisti, me levando a pensar como na vida algum estúdio deu milhões pra ele fazer aquilo. Não coloco “A Vila” nessa leva de fracassos totais porque, apesar de a protagonista correr pela selva mais rápido que Usain Bolt, no fundo… beeeem no fundo… (spoiler) a idéia de pessoas se esconderem em uma reserva para se protegerem das maldades do mundo exterior até me parece poética. Ponto pro Shya.

Mas então, estava eu, ansiosíssima para a estréia de O último mestre do Ar. Entrei em frenesi nos primeiros minutos do filme, já que o diretor retratou a abertura do desenho exatamente como é, com pessoas fazendo as dobras dos elementos (isso é linguagem do desenho, ta? “Dobrar” é a mesma coisa que manipular). Os personagens foram bem escalados fisicamente e até que o Jackson Rathborne deu um bom Sokka, mas é isso.

Os atores foram estupidamente mal dirigidos, a história foi completamente embolada e, pra quem estava no cinema, sem ter visto o desenho, tentando entender o que estava se passando, não foi uma boa experiência. Eu só não estava entendendo como aquilo seria possível, já que ele tinha todos os recursos pra fazer dar certo. Em cinema todos os recursos = dinheiro + boa equipe .

Até que consegui entender! No meio do filme surge o vilão da história, o Comandante Zhao, um cara inescrupuloso, mal caráter e manipulador. E quem estava interpretando o Comandante Zhao? TCHARAM! M. Night Shyamalan. É amigas, o ego dele permite que ele dirija e atue (mal) ao mesmo tempo. Então entendi os problemas do filme: O tempo que ele gastou tentando ser um personagem poderia ter investido em, por exemplo, treinar melhor os atores, que não eram ruins, ao contrário do que muita gente anda dizendo. Se você viu “Quem quer ser um milionário” sabe que o protagonista é um ótimo ator. Pois é, esse rapaz era o Príncipe Zuko, um dos protagonistas da história, e ele nem de longe foi tão bem sucedido em “O último mestre do Ar” como foi no aclamado filme pseudo-indiano vencedor do Oscar.

Um ponto crucial pra mim é o humor da série, que, surpresa!…Foi desrespeitado. O Sokka não tem um pingo de ironia em suas veias, a Katara é qualquer coisa menos estouradinha e o Tio Hiro, meu personagem favorito, não era velhinho, nem barrigudo e muito menos engraçado.

Pois é, mais uma adaptação mal sucedida… Brincadeiras à parte, não acho que semelhança física seja fator determinante no resultado final de uma adaptação, mas respeitar a história e ser fiel ao enredo é uma ótima maneira de começar a ter sucesso.

Shyamalan está ameaçado em Hollywood, pois ninguém quer patrocinar filmes que não atraem público. Me parece que ele é um bom roteirista e que sabe vender bem seu peixe para a indústria, mas os resultados não têm sido bons desde sua estréia com “O sexto sentido”.

Normalmente, quando o segundo filme de um diretor novo é ruim, pensa-se que ele sofreu muita pressão para alcançar o nível do primeiro filme e que no próximo vai ser melhor, pois ele já estaria acostumado ao ritmo, e etc. Parece que com Shyamalan foi ao contrário. Ele estava no ritmo no primeiro e no segundo, depois disso, a carroça desceu morro abaixo, desgovernada, conduzida por um cavalo manco. Eu mesma já estava determinada a não ver mais nenhum filme dele, mas, em nome do meu amor pela produção da Nick, dei mais uma chance. Cheguei até a postar no meu Twitter “one more shot for Shyamalan”, mas o tiro saiu pela culatra.

Me entristece muito que essas pessoas abençoadas com produtoras milionárias e orçamentos gordos façam miséria em suas adaptações. Prestar-se a ser diretor significa muito mais que simplesmente fazer as coisas do seu jeito, significa assumir o risco de fazer um bom trabalho e pensar em soluções que o público não pensaria, mas, pelo que eu vi, o que não faltava no fim da sessão eram fãs, que, como eu, comentavam alternativas para os pontos fracos do filme e que com certeza dariam melhores resultados.

Se é bom ou ruim, ainda não sei, mas o filme terá continuações, já que o filme que está em cartaz é equivalente somente à primeira temporada do desenho. Se pudermos ser abençoados com a ausência de Shyamalan na segunda parte, o Livro da Terra, teremos mais chances de sair felizes das salas de exibição.

Bem que o Christopher Nolan podia se interessar, né não? ;)

ERRATA: É o seguinte, obviamente eu procurei na internet antes de postar que o Shya interpretava o Zhao, mas cometi o erro de não conferir no IMDB, que deveria ser minha primeira opção. Assim como eu, muitas pessoas se enganaram devido à semelhança física, mas o importante é que vocês, leitores, estão atentos e ajudam a gente que está escrevendo a melhorar cada vez mais. Obrigada a quem me alertou para o erro. Desculpem essa estreante que vos fala, já que ela estava empolgadíssima quando escreveu. ;)

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“A vida em um dia”

Pulicado em 22 julho 2010 por Carolina Türck

O projeto “A vida em um dia” tem como objetivo criar o maior longa-metragem do mundo feito por usuários do Youtube. No dia 24 de Julho os usuários terão 24 horas para documentar um trecho da sua vida.

“Meu objetivo é fazer um filme que retrate um momento de sua vida na Terra durante 24 horas. Terei que encontrar elos entre os vídeos enviados. Essas ligações podem ser temáticas (preocupações com o futuro, o amor por um bebê ou temporais (o momento do café da manhã, um amanhecer que acontece no Rio de Janeiro, em Londres ou na Namíbia”.

“Enfim, esta é uma experiência unica em produção cinematográfica colaborativa e uma cápsula do tempo que contará eternamente às futuras gerações como era viver no dia 24 de julho de 2010″

Palavras de Kevin Macdonald, diretor do projeto.

O lançamento aparece em 2011 (rápido pela quantidade de vídeos que vão receber!) no Festival de Sundance e gratuitamente no Youtube, produzido por Ridley Scott (Robin Hood, Blade Runner) e dirigido por Kevin Macdonald (Intrigas do EstadoO Último rei da Escócia).

Os “não escolhidos” serão disponibilizados no canal do projeto, onde todos os usuários terão acesso aos vídeos.

Em tempo de seguir o próximo acredito que de experimental o projeto não tem nada – já é sucesso! Apaixonada por documentários estou curiosa e ansiosa (pensando em participar) para ver o resultado.

Todas informações, datas e regulamento vocês encontram aqui.

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Sonhos Roubados

Pulicado em 29 maio 2010 por Carolina Türck

Após os longas Amores Possíveis, Pequeno Dicionário Amoroso e Cazuza – O Tempo Não Pára, Sandra Werneck trouxe para as telas Sonhos Roubados.

O filme é baseado no livro jornalístico “As Meninas da Esquina”, de Eliane Trindade. E retrata a vida de três amigas que vêem na prostituição a forma mais fácil de sobreviver ou bancar os pequenos sonhos de consumo. A ficção retrata o mesmo universo do documentário “Meninas” dirigido pela cineasta em 2006.

Jéssica, Daiane e Sabrina são amigas de infância, moram em uma favela no Rio de Janeiro e devida à péssima estrutura familiar alimentam um cuidado quase materno umas entre as outras.

Daiane (Amanda Diniz) a mais nova do trio, mora com os tios e vive buscando atenção e carinho do pai. Jéssica (Nanda Costa) é a “malandra” do grupo e mãe de uma menina. Divide-se entre a preocupação com a guarda da criança e o cuidado com a saúde do seu avô. Sabrina (Kika Farias) a mais devaneadora, abandona o balcão do boteco que trabalha para viver o famoso “amor bandido”.

O filme ainda conta com a estréia do rapper MV Bill e atores consagrados como Marieta Severo, Daniel Dantas, Nelson Xavier e Ângelo Antônio.

Rotinas como de Sabrina, Daiane e Jéssica podem ser vistas diariamente em todas as cidades. E através dessa identificação somos levados para o morro ao som de funk e diálogos simples, mas repletos do mais forte sotaque carioca.

Sandra Werneck mais uma vez mostrou que é possível revelar a realidade sem abrir mão da delicadeza.

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Homem de Ferro 2

Pulicado em 19 maio 2010 por Gabriela Franco

O Homem de Ferro foi criado por Stan Lee em 1963, com projeto de Don Heck nos desenhos e sua primeira publicação foi em Tales of Suspense 39. Daí em diante, o Vingador Dourado (alcunha que às vezes recebe nos gibis) não deixou mais de ser publicado e está quase sempre ligado à histórias do grupo de heróis mais importante da editora Marvel: Os Vingadores.

Embora o Homem de Ferro seja um dos mais importantes heróis da editora, verdade seja dita, teve poucos arcos de histórias solo ao longo de quase 50 anos de publicações.

Só recentemente, impulsionado também pelo êxito comercial do primeiro filme, é que ele alcançou seu devido reconhecimento nos quadrinhos como o personagem genial que é.

Genial por que embora seja um herói que se utiliza de um fardamento ultra tecnológico para enfrentar os vilões, Tony Stark – o homem dentro da armadura do Homem de Ferro – é um dos heróis mais humanos da Marvel. É esse o tom que faz de Homem de Ferro 2 uma ótima sequência, com mais méritos do que defeitos, e que já faturou, até agora, US$ 327,6 milhões mundialmente, sendo US$ 4,7 milhões só no Brasil.

O filme acertou quando manteve a boa dupla de atores principais: Robert Downey Jr., incorporando com perfeição o gênio-playboy, Tony Stark e Gwyneth Paltrow, como a secretária-babá-quase namorada, a ruivinha Pepper Potts.

O acréscimo do ex-galã dos anos 1980, Mickey Rourke (lembram de “Coração Satânico”?), deu um quê canastrão ao ressentido vilão Ivan Vanko, o Chicote Negro. Don Cheadle é discreto como James Rhodes, o Máquina de Combate, uma versão militar do próprio Homem de Ferro, cuja origem me surpreendeu pela simplicidade de sua adaptação (e quem conhece sua origem nos gibis vai concordar comigo). Aqui cabe um parêntese: a fase atual do Máquina de Combate que vem sendo publicada no Brasil pela Panini é tão boa quanto o próprio Homem de Ferro!

O sempre ótimo Sam Rockwell, rouba a cena como o empresário Justin Hammer e mostra porque é um ator de primeiro time da Hollywood nos dias atuais.

No filme, o mundo agora sabe que Tony Stark é o Homem de Ferro. Amado pelo povo por, segundo suas palavras, ter “privatizado a paz mundial” e temido pelo governo, que acredita ser apenas uma questão de tempo até que a revolucionária tecnologia Stark caia em mãos inimigas, a linha  “será que vai dar merda?” é o que dá o tom.

A trama gira em torno da figura humana de Tony Stark. Sua ambição, sua genialidade, sua luta contra a morte, seus exageros, suas inseguranças. E eis que surge o  arquétipo de vilão dos quadrinhos, pronto para usar tudo isso contra ele e destruí-lo, não apenas fisicamente, mas a seus ideais e principalmente sua proposta de paz mundial, mantida através do medo que a superioridade tecnológica norte-americana desperta.

Não faltam cenas super-heróicas de ação para encantar o público (a batalha final é uma aula de como fazer uma luta entre super-heróis), mas a verdade é que a queda de ritmo na segunda metade da trama pode incomodar um pouco os mais jovens.

O filme tem segundas intenções importantes. Para quem não sabia, os estúdios Marvel se preparam para fazer um filme dos Vingadores. Para isso vai plantando aos poucos personagens conhecidos dos quadrinhos como foi o caso do Cel. Nick Fury, interpretado por Samuel L. Jackson e de Scarlett Johansson, no papel da super espiã russa Natasha Romanoff, a Viúva Negra, braço direito de Fury na S.H.I.E.L.D. – (que é uma espécie de “super CIA”), uma ficctícia agência militar norte-americana que ainda vai ser citada muitos filmes dos heróis Marvel, até o lançamento dos Vingadores.

Homem de Ferro 2 é um filme com o roteiro muito bem construído mesmo se tratando de um filme de ação. Mesmo com muitos fatos simultâneos (o que parece tendência em filmes de quadrinhos) ele prende a atenção, sem esquecer das pitadas de comédia e romance.
Deve, ao menos, ser lembrado como uma sequência de qualidade dessa franquia. Como fã inveterada de quadrinhos (e marvette ainda por cima) achei válido.

PS: A trilha sonora está MUITO boa, quase exclusiva do AC/DC. Cuidado qdo for comprar a trilha, existem duas no mercado a incidental (Iron Man 2 Soundtrack) e a do AC/DC com o logo bem grande e visível da banda,  na capa.

PS2: Ah, uma dica: não saia da sala logo após os créditos finais!!!

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Órfãos de Englund

Pulicado em 15 maio 2010 por Carolina Türck

Invadindo o espaço da Gabriela Franco pra falar de cinema! Mas não “qualquer cinema”.  ;)

Quem leu meu post indicando os “preferidos de terror” sabe que cresci assistindo eles. E hoje em dia mesmo que meu gosto tenha evoluído faço questão de respeitar o “apego a infância” e assistir as novidades do gênero.

Semana passada estreou A Hora do Pesadelo – famoso clássico com Freddy Krueger. Alguns amigos já haviam enviado links com notícias e comentado detalhes do filme, mas minha decepção iniciou ao ler que não teríamos Robert Englund.

(spoiler)

Não me admira que os antigos fãs fiquem confusos logo no início do filme. Estamos acostumados com um filme repleto de antigas partes – Freddy sendo queimado, lembranças de alguma vítima que sobreviveu e etc…Em A Hora do Pesadelo (2010) precisamos de uma adaptação as novidades e jeito de Rooney Mara que parece iniciar o filme já em sono profundo, tamanha capacidade de interpretação. Kyle Gallner não fica atrás estampando pouco pânico ao dar de cara com Freddy (eu só conseguia pensar: “Porra! É o Freddy, corra, grite, chore, esperneie!”).


O resto do elenco é praticamente imperceptível.

O que manteve na cadeira os novos telespectadores foram sem dúvida os efeitos. Que para nós, antigos admiradores da série não são satisfatórios. Muito barulho, sustos estilo Pânico e até copias descaradas de cenas do Exorcista. Detalhe do corredor onde Nancy Thompson (interpretada por Rooney Mara) nada e me remete ao O Iluminado.

E assim segue o filme, resgatando algumas cenas clássicas como Heather Langenkamp na banheira e Amanda Wyss no saco mortuário.

Sobre Jackie Earle Haley a atuação foi medíocre. Ele conseguiu o mínimo exigido: segurar a responsabilidade de interpretar um personagem tão antigo.

E minha opinião se manteve – ficamos anos e anos assistindo Englund por atrás da maquiagem de Freddy, nos acostumamos com o corpo e principalmente os passos que ele dava em direção as pessoas, à forma que ele arranhava a luva no quadro negro ou qualquer superfície de ferro, acostumamos até nossos ouvidos a esses terríveis sons! Filmes clássicos como A Hora do Pesadelo com tantos atores coadjuvantes e apenas um principal torna impraticável uma continuação sem ele.

Mas espero o próximo, com uma direção mais tradicional e a língua de Englund no rosto de alguma vitima.

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Não é que deu certo?

Pulicado em 03 maio 2010 por Gabriela Franco

Eu sou fã de Woody Allen. Difícil um filme seu que eu não tenha gostado. Tenho aqui minhas reservas, mas no geral, o acho genial e seu último trabalho, Tudo Pode dar Certo (Whatever Works- EUA – 2009) não foge à regra.

Quem conhece a obra do diretor sabe que ele já atuou em muitos de seus próprios filmes (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa é o primeiro exemplo clássico) e tudo nos leva a crer que poderia ter feito o mesmo neste último, já que o papel parece ter sido feito especialmente pra ele. Mas Allen resolveu chamar alguém à altura para substituí-lo, um peso-pesado do entretenimento americano: Larry David, co-criador e roteirista de uma das melhores e mais rentáveis sitcoms de todos os tempos (Seinfeld) e estrela do show Segura a Onda (Curb your Enthusiasm) onde destila seu humor corrosivo em piadas que simplesmente desconhecem qualquer pudor ou apreço ao politicamente correto que tanto insiste em chatear nossos dias.

Nesta comédia, que em muito lembra os primeiros trabalhos de Woody, mas ao contrário dos mesmos é muito mais leve e despretensiosa, David é Boris Yellnikoff, um físico nuclear aposentado, hipocondríaco, megalomaníaco e misantropo que passa seus dias lamentando-se pelo próprio suicídio fracassado, discutindo generalidades com amigos e lecionando xadrez às crianças da vizinhança, e tem sua vida atropelada pela bela e ingênua Melody, uma garota do Sul dos EUA que decide ir para NY na tentativa de fugir de sua família esquisita e acaba se apaixonando por ele.

Enquanto Boris tece elucubrações causticas relevantes sobre o modo de vida ocidental e ataca a tudo e a todos, mas principalmente o seu país natal, acaba rendendo-se à adorável estupidez de Melody que, ao mesmo tempo em que se mostra sedenta por aprender tudo o que seu amado tem a oferecer (embora não entenda nada muito bem) o ensina muito mais do que ele jamais sonhou encontrar.

E daí nasce o grande mote do filme: Não adianta muito a gente tentar ter controle sobre a vida, ela é o que acontece enquanto você perde tempo teorizando sobre como ser feliz ou o que é a felicidade, ao mesmo tempo em que tenta adiar sua própria morte.

Resumindo, soa como filosofia barata, mas não se esqueçam: trata-se de um Woody Allen. As falas são extremamente rápidas, inteligentíssimas, profundas e provocadoras. Fazem pensar, mas de um modo leve e bem humorado. É aquele tipo de filme que você assiste sorrindo, sem se dar conta disso.

O mais gostoso de tudo, para mim que sou fã do diretor, foi ver como o tom de seu discurso mudou ao longo de sua filmografia. Não tem mais a pretensão arrogante dos jovens, mas a sabedoria tranqüila e bem humorada dos velhos. É humano e experiente o bastante para dizer que, apesar de todas as teorias, tudo enfim, pode dar certo. Adorei. Espero que você goste também.

Obs.: – Não sei se foi paranóia de produtora, mas eu vi o boom (microfone usado em gravações para captar o áudio ambiente no set) invadir claramente diversas cenas do filme. Como em muitos casos o protagonista se dirige diretamente à platéia como se tivesse consciência de fazer parte de um show, fico aqui sem saber se tal falha não faz parte do enredo como uma espécie de metáfora metalinguística ou se Woody simplesmente percebeu o microfone aparente e, no fim, ah, nem é um detalhe tão importante assim, né?

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Sob a Sombra da Intolerância

Pulicado em 19 abril 2010 por Gabriela Franco

Tipicamente alemão.

Historiadores atribuíram à primeira década do séc. XX a alcunha de Belle Époque devido à onda de otimismo, avanço da ciência, confiança e queda de paradigmas em geral que acometeu parte do mundo moderno pelos idos de 1871. Foi deste terreno fértil que surgiram a art noveau, o Impressionismo, o telefone, a bicicleta, o avião e o automóvel. A Belle Époque nos deu Balzac, Baudelaire, Rimbaud e Anatole France.

Foi uma época de ouro, marcada por profundas transformações culturais que culminaram em novos modos de pensar e viver o cotidiano, e que foi brutalmente interrompida com a eclosão da 1ª Guerra Mundial em 1914.

Foi neste cenário fatalista e de mudanças bruscas que o cineasta alemão Michael Haneke (Cachê, A professora de piano) situa seu novo filme, A Fita Branca (Das weiße Band – Alemanha 2009) que faturou a Palma de Ouro em Cannes, no ano de sua estréia, fazendo por merecer.

O filme é ambientado em uma aldeia alemã no ano de 1913, anterior ao conflito. É – na tentativa de deixá-lo ainda mais incômodo – narrado em off por um de seus personagens, um professor, que, na época dos acontecimentos tinha 31 anos e que, portanto, recorda, com toda carga emocional da idade e da criação que teve os crimes e acidentes que abalaram o vilarejo na época da guerra.

A aldeia, aliás, é por si só um personagem à parte do filme. Parece-me que antes de tais acontecimentos ela jazia sob uma paz forçosa, assentada com base na hierarquia religiosa de classes sociais. Há o médico-quase-monstro, o barão, dono de metade das terras, seus empregados sempre submissos e conformados, o pastor protestante, uma parteira que possui um filho com problemas mentais e, principalmente: um grande grupo de crianças assustadas e reprimidas, diante da frieza e austeridade dos adultos.

O retrato de uma futura Alemanha.

De repente, tudo que é sólido se desmancha no ar e a paz é ameaçada: o médico se acidenta, o filho da parteira é misteriosamente atacado, e até os filhos do pastor acabam aparecendo surrados. A fotografia é espetacular, P&B completamente estourada, muito branca, reforçando a frieza e distanciamento pretendidos por Haneke.

Um filme que tenta elucidar como a educação e criação de um povo podem interferir diretamente na formação social e política de um país.

Antes de qualquer coisa, um filme puramente alemão.

Forte. Belo. Recomendo, com louvor.

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Não sai do chão

Pulicado em 12 abril 2010 por Gabriela Franco

Amelia, (Amélia – Canadá – EUA 2009) filme sobre a aviadora americana Amelia Earhart, estrelado pelos ótimos Hillary Swank, Richard Gere e Ewan McGregor (adoro! Apesar de, neste filme, ele fazer sotaque americano) a principio, tem tudo pra dar certo. Atores de primeira, grande produção de época, uma boa fotografia, planos aéreos lindíssimos e uma história baseada em fatos reais pra lá de interessantes. Apesar disso tudo, não decola.

Amélia Earhart foi uma mulher à frente de seu tempo em todos os sentidos. Uma verdadeira “garota nerd”, aventureira, um espírito livre, decidido, corajoso, e isso, nos anos 30. Foi a primeira mulher a receber a “The Distinguished Flying Cross” condecoração por ter sido a primeira a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Virou febre, celebridade absoluta, sem o empurrão da internet e reality shows, só com a cara e a coragem, o que lhe abriu muitas portas, aliás.

Deu palestras, escreveu livros sobre aviação (até então, terreno estritamente masculino) teve grande peso na organização da aviação comercial americana como a conhecemos hoje e foi editora adjunta da revista Cosmopolitan, que, diga-se de passagem, em priscas eras, já foi muito relevante e informativa.

É natural, portanto, que uma personalidade desse tipo tenha tido uma vida pra lá de badalada e um filme baseado nela mostre tudo isso, certo? Errado. O que poderia ter sido um baita vôo arriscado acaba mal saindo do chão. O filme é arrastado, superficial, distante, quase um documentário. Fiquei com vontade de saber mais sobre a infância de Earhart, suas influências, suas lembranças, isso poderia ter sido mais bem trabalhado na película e não foi.

Apesar de estar envolta em aventuras, o filme também não explora esse lado e a narrativa é modorrenta, confesso que fiquei até com um pouco de sono.

Nem o envolvimento de Amelia com o publisher George Putnam (Richard Gere) e o suposto caso extraconjugal que teve com o aviador Eugene Luther Vidal (Ewan McGregor), o que supostamente deveria apimentar a trama, a faz decolar.

Uma pena. A impressão que fica é a de dinheiro, talento e um ótimo roteiro, mal-aproveitados. Seria um erro colocar todo esse peso em cima da diretora indiana Mira Nair (Um Casamento à Indiana), trabalho nesse meio e sei que um filme é todo feito por uma EQUIPE e por um ou dois profissionais apenas.

Sinceramente, faltou punch. Talvez a própria Amélia tenha desaprovado. Aposto que ela daria um jeito de fazer o filme voar. Ô se daria.

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Educação

Pulicado em 15 março 2010 por Gabriela Franco

O filme Educação, estrelado por Carey Mullingan e Peter Saasgard é baseado nas memórias da jornalista inglesa Lynn Barber, respeitadíssima em seu país, mas me chamou a atenção por ter sido adaptado para o cinema por um de meus escritores pop prediletos: Nick Hornby, o mesmo de Alta Fidelidade, Febre de Bola e Um Grande Garoto.

Bem, opiniões sobre Educação (An Education – Uma Educação, no original, muito mais condizente com a história do filme) são contraditórias: uns dizem que o roteiro é fraco e a história batidíssima, enquanto outros (como yo) acham que o filme é ótimo, com uma historia interessante, contada de modo dinâmico e intenso e com grandes interpretações, além de ótima produção, trilha sonora, etc.

Dirigido por Lone Scherfig ( Italiano Para Principiantes e Meu Irmão Quer Se Matar), Educação narra a história da jovem Jenny (a bela Carey Mulligan, que recentemente esteve no elenco de Inimigos Públicos e que concorreu ao Oscar como melhor atriz) que com seus 17 anos não tem idéia do que possa ser a vida além das paredes do seu quarto, das folhas de seus livros aos quais se dedica à exaustão e dos muros do colégio.

É uma garota de família de classe-média inglesa do período pós-guerra e  é constantemente pressionada pelo pai (Alfred Molina), para que se dedique mais e mais aos estudos e garanta uma vaga na prestigiada Universidade de Oxford.

Como toda adolescente, alimenta sonhos, tem ídolos e  admira modismos, no seu caso o movimento Nouvelle Vague  e a própria França como lugar perfeito para se viver.

Nos dias de hoje, diríamos que Jenny é uma nerdzinha, como nós: adora boa música, admira cinema estrangeiro, conhece bastante literatura, é questionadora e tem referências intelectuais acima da média.

Por conta disso, acaba chamando a atenção de um homem mais velho, (Peter Sasgard) com quem acaba se envolvendo e pondo em risco seus sonhos e planos, mas também lhe dando um novo fôlego e paixão pela vida.

Por conta desta relação e dos sentimentos e  experiências intensas que ela lhe traz, Jenny começa a questionar se os planos que segue são corretos e se estão de acordo com o que ela quer para sua vida.

Trocando em miúdos: com a enxurrada de estímulos emocionais, intelectuais e físicos que a tomam, nossa doce Jenny se vê obrigada a..amadurecer. E de um modo bastante doloroso.

Tudo isso, é claro, acompanhados das típicas ilusão romântica, ingenuidade e pretensão naturais da idade.

Me identifiquei com Educação e me vi no papel de Jenny em muitos momentos. Principalmente quando ela começa a questionar sua vida, escolhas, o papel dos pais e das mulheres de seu tempo, tudo isso embalado no clima pré  Swinging London dos anos 60.

Educação é um filme bem feminino. É um filme tecnicamente comum,certinho, sem grandes inovações. Mesmo assim, ainda é dinâmico e envolvente. Conseguimos identificar o toque de  Nick Hornby por meio seus diálogos afiados e referências ao mundo pop tão característicos em seus trabalhos e isso, para uma fã dele, como eu, é muito gostoso e gratificante.

Não mudou minha vida mas me deixou nostálgica. Acho que você vai gostar. ;)

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A cerimônia do Oscar e a vingança das “ex”

Pulicado em 08 março 2010 por Gabriela Franco

Aconteceu neste domingo, dia 7 de março de 2010  a 82ª cerimônia de premiação do Oscar, que recompensa (ao menos, deveria) os melhores filmes do ano, de acordo com a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, ainda a maior e por isso, principal produtora e distribuidora do gênero no mundo. Mas ainda há esperança..rs.

Como todos os orgãos de imprensa alerdearam por aí, Avatar, de James Cameron e Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow eram os prediletos  para Melhor Filme, Melhor Direção e Fotografia.

E o que era só uma disputa entre dois grandes filmes ganhou proporções “familiares” já que Kathryn é ex-mulher de Cameron e seu filme, despretensioso (perto de Avatar) ficou pau a pau na disputa com o do “ex”.

Eu, particularmente, fiquei dividida. Apostava em Avatar justamente no quesito no qual ele se destaca: efeitos especiais.  Afinal, por mais que ele tenha sido espinafrado pela crítica, o que achei um exagero, o filme realmente é um marco no uso da tecnologia no cinema.

Por outro lado, Guerra ao Terror é um filme de produção comparativamente pobre mas de conteúdo fortíssimo, com movimentação de câmera,  montagem e  interpretações primorosas, além de, na minha opinião,o olhar feminino,detalhista e sentimental, ter feito uma diferença significativa.

Mas, foram muitos os filmes que esbarram nos queridinhos da Academia, entre eles, uma animação (Up – Altas Aventuras) e uma Ficção científica (fato notório e digno de regozijo) – Distrito 9.  Foram 10 filmes indicados a Melhor Filme (para ver a lista completa dos indicados em todas as categorias clique aqui) contra cinco do ano passado e isso foi um uma melhoria e tanto pois 2010 foi especialmente prolífico neste sentido.

Não sou fã do Oscar. Acho um prêmio injusto, exclusivo de blockbusters  americanos e, para mim, o cinema está além dele. Mas sem dúvida causa grande comoção na indústria cinematográfica e não pode ser ignorado.

Achei alguns prêmios justíssimos, como o de melhor ator e atriz coadjuvante. O primeiro foi para Christopher Waltz, de Bastardos Inglórios, que concorreu com colegas de peso como Christopher Plumer, levou o prêmio, com louvor. O General Hans Landa é um personagem icônico e fui magistralmente interpretado por Waltz. Ponto também para Tarantino, que sempre alça ao estrelato talentos esquecidos ou desconhecidos.

Já a apresentadora e comediante americana Mo’nique, surpreendeu a todos com a interpretação espetacular de uma mãe violenta e problemática no tocante Preciosa. Também foi um prêmio justo, em minha opiniao.

Mas em quesitos como: fotografia, melhor canção, por exemplo, acho que o Oscar deu bola fora.

A Fita Branca (Das Weisse Band de Michael Hanneke – Alemanha, Austria, França e Italia – 2010)  merecia essa, em minha opinião. Até pelo fato de ter sido filmado em P&B, muito mais difícil, pelo efeito luz e sombra.

E melhor canção, acho que Nine, com Marion Cotillard poderia levar, ao invés de Colin Farrel cantando música country. Não me convenceu.

Melhor ator para Jeff Bridges de Coração Louco, também era previsível. Acho que entre os indicados, apesar de Morgan Freeman sempre significar uma ameaça, foi justo. Bridges é um ótimo ator e seu papel no filme, o de um astro country decadente, foi perfeito para ele.

Sandra Bullock também levou para casa o homenzinho dourado. Eu não acho que seu papel em “Um Sonho Possível”, tenha sido para tanto. Preferia Helen Mirren (The Last Station). Mas, são os EUA e eles a-do-ram essas tramas interaciais e tal. Culpazinha, né?

O efeito surpresa, pero no mucho, ficou com o prêmio de Melhor Filme e Melhor Diretor. Guerra ao Terror, da diretora Katryn Bigelow arrematou as categorias mais cobiçadas da noite, passando a perna no Avatar do ex-marido. Me digam, tem vingança melhor para uma ex-mulher?

Fato: Katryn foi a primeira mulher a ganhar o Oscar na categoria. Uma boa homenagem ao Dia Internacional da Mulher, não?

Hum, alguém farejou marmelada aí ou fui só eu?

Eis a lista com os vecedores nas principais categorias.

Melhor animação – Up – Altas Aventuras.

Melhor canção – The Weary Kind – Crazy Heart

Melhor Roteiro Original – Guerra ao Terror

Maquiagem – Star Trek

Roteiro adaptado – Preciosa

Melhor atriz coadjuvante – Mo’nique

Melhor Figurino – A Jovem Victoria

Melhor Trilha – Up – Altas Aventuras

Efeitos Visuais – Avatar

Melhor Filme Estrangeiro – Lo Secreto de Sus Ojos  – Argentina

Melhor ator – Jeff Bridges

Melhor atriz – Sandra Bullock

Melhor Diretor – Katryn Bigelow

Melhor Filme – Guerra ao Terror

Diretor de arte – Avatar

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