Eu já tinha ouvido falar de Persépolis, há alguns anos atrás, mas acabou caindo no esquecimento por “n” motivos. Eis que uma professora do meu namorado resolve pedir que eles leiam o primeiro volume como matéria de prova, algo assim. Voltou tudo à minha mente, e fiquei aguardando o término do trabalho deles para ter em minhas mãos esse ‘livrinho’.

Persépolis é uma graphic novel (apesar da autora rejeitar este título), ou história em quadrinhos autobiográfica de Marjane Satrapi, nascida no Irã em 1969. Até aí, você diria, que diferença faz? Para começar, cara pálida, quantas mulheres cartunistas você conhece? E iranianas? E que retrata sem pudores o que ela viu, passou e fez durante a revolução iraniana, durante a guerra contra o Iraque? Pois é.
Mas calma que não é tudo violência, sangue e pedaços de corpos pelas páginas, pelo contrário. Os desenhos são em preto-e-branco, e vão contando em episódios – alguns engraçados, alguns tristes – a vida de Marjane desde pequena, quando o regime “religioso fanático” no Irã obrigou as mulheres a usarem véu e a estudarem em salas separadas por sexo, pra começar.

Ela participou de manifestações políticas com seus pais, e no colegial foi mandada para a Áustria, sozinha. Enfrenta o dilema de ser muito ocidental no Irã e muito oriental na Áustria. Conta as aventuras que ela enfrentava para conseguir uma fita k7 de uma banda de rock dos anos 80, ou como seus pais quando foram ao exterior tiveram que esconder um pôster do Iron Maiden para trazerem pra casa sem serem presos; ou as festas com as cortinas fechadas para continuarem se sentindo vivos num regime opressor de qualquer felicidade. Além da pressão para casar cedo e ter filhos, num lugar onde as mulheres não podem andar com outros homens que não sejam parentes ou o marido, sozinhas então…
Os livros foram publicados em 2000, e aqui no Brasil foram separados em 4 volumes ou num único contendo os quatro livros, chamado Persépolis Completo (que é o que eu, ahn, o meu namorado tem). Recomendo o completo pelo preço mais em conta (R$41,00 o volume completo contra cerca de R$32,00 por volume separado) e porque quando se começa a ler, não dá vontade de parar, e ter que esperar pra comprar o próximo não é legal!
Agora, vem a parte que eu te pergunto: viver numa cidade violenta, uso de drogas por adolescentes, se sentir fora do contexto em certos lugares, conflitos com a visão de casamento dos outros e a sua… isso só se aplica ao Irã? A história foi publicada em 2000, mas os episódios aconteceram há no mínimo 20 anos atrás. E continuam extremamente atuais.
Ps.: Foi feito um filme baseado no livro, na verdade uma animação, com o mesmo título. Ainda não assisti. Mas pretendo!




junho 16th, 2009 at 13:42
Aeee, saiu o post que indiretamente eu pedi! Hahaha…
Mas infelizmente não aguentei e acabei assistindo no mesmo dia (agora tenho que ler).
No início cheguei pensar que seria chato, cansativo…
Mas achei ótimo e já indiquei para várias pessoas. :}
PS- Não fazia a menor idéia que ela era tão bonita!
junho 16th, 2009 at 13:53
Eu vi o filme recentemente e só aí descobri o livro. AMEI o primeiro, devo gostar muito do segundo…
junho 16th, 2009 at 14:02
Valeu a pena esperar, né?
Gostei de sua resenha, principalmente por este trecho:
Realmente a síndrome do estrangeiro é bastante presente na história.
Espero que você escreva uma resenha do filme quando o vir.
junho 16th, 2009 at 14:04
Eita, quem escreveu não foi Carol! E então, Carol, sai uma resenha do filme?
junho 16th, 2009 at 16:14
Thiago, se a Carol n fizer a resenha, eu ainda pretendo assistir e faço tb (=
Carol, também n imaginava que ela fosse bonita! Tanto que no livro ela passa por aquela fase de patinho feio da adolescência e tal!
O que gostei bastante foi o jeito como ela falava com Deus… hilário em várias partes (=
junho 16th, 2009 at 21:13
Também adoro Persepolis… só vi o filme, mas pretendo comprar os quadrinhos também.
O filme é mto bom, dá para ver que segue o estilo do original, da temática ao tom e ao mesmo estilo de desenhos… é mto bom =)
junho 16th, 2009 at 23:29
Excelente texto sobre Persépolis!!!
O álbum é deliciosamente interessante, misturando de forma bastante delicada assuntos como religião, repressão cultural, além da famigerada “jornada do herói”, representada na obra pela própria vida e obra da autora!!!
Já a animação homônima tem um final mais abrupto, mas mesmo assim é um pequeno clássico e merece ser vista
Para quem gostou de Persépolis, recomendo “Frango com Ameixas”, a mais recente obra da autora, publicada no Brasil em 2008 pela Cia. das Letras.
junho 17th, 2009 at 16:13
Eu vi o filme (ou seria quadrinhos? hehe) e achei mto interessante; uma ótima forma de conhecer a cultura, ou parte dela, de um país bem distante!
[]s!
junho 24th, 2009 at 20:10
Alguém poderia fazer um post sobre a ferramenta politica chamada twitter no Irã hein.
Abraços,
junho 26th, 2009 at 14:31
Tô terminando de ler o livro e é simplesmente supimpa!
Muito phoda msm!
junho 26th, 2009 at 14:37
Também recomendo MAUS